- -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998

ENTREVISTA / Henrique Leite
"Vamos continuar com os protestos"

Depois de várias tentativas frustradas de negociação com o Governo do Estado, os policiais civis, que entram hoje no 83º dia de greve, decidiram realizar mobilizações nos comícios e caminhadas da Frente Popular, que respalda a candidatura do governador Miguel Arraes. A primeira manifestação ocorreu durante o comício, realizado anteontem, na comunidade de Santa Luzia, na Torre. O advogado da Frente Popular Ivanildo Figueiredo entrou, ontem, com uma representação junto ao Tribunal Regional Eleitoral solicitando providência contra os protestos dos policiais, que reivindicam 75,2% de reajuste salarial. O presidente do Sinpol, Herinque Leite, falou ao JC sobre as mobilizações.

JC - Por quê a categoria decidiu protestar nos comícios da Frente Popular?

Henrique Leite - Tentamos de tudo e não conseguimos ser recebidos pelo Governo. Já acionamos entidades e lideranças políticas e nada. A decisão da mobilização ocorreu por unanimidade, numa assembléia no início de julho, e só anteontem foi colocada em prática. A intenção é negociar.

JC - Qual a intenção do mote do protesto: "Diga aonde você vai que eu vou varrendo". O que vocês pretendem varrer?

HL- Não vamos varrer sujeira de ninguém. Queremos mostrar que vamos seguir os passos do governador para chamar atenção e abrir as negociações, dificultadas por setores radicais do Governo, que acham melhor o confronto.

JC- Mas setores do Governo criticam a posição do Sinpol classificando-o de "xiita", ligado a ala radical do PT?

HL- Já mostramos que não somos radicais. Saímos, em 97, de uma greve de 22 dias sem nada, só com a perspectiva de negociação que não ocorreu. Até na guerra se negocia. Saddam Hussein negociou com os Estados Unidos. O Sinpol tem filiados do PT e de outros partidos, mas não misturamos o sindicato com política partidária. Eles queriam que o Sinpol se vendesse como a CUT e outros sindicatos e não conseguiram.

JC- Qual a reação da categoria ao ser chamada de baderneira pelo deputado Pedro Eurico (PSB)?

HL- Quando se vai fazer baderna não se chama a imprensa. Se a gente quisesse acabar com um comício acabaria e ninguém iria saber. Nosso interesse é garantir o direito de greve. Muitos dos que reclamam já protestaram em comícios de Fernando Collor e FHC.

JC- Estão sendo pressionados para acabar com a greve?

HL- Ao invés de negociar, o Governo paga para um bocado de subserviente ficar grampeando nossos telefones. Não temos o que esconder somos transparentes.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes