ENTREVISTA / Henrique Leite
"Vamos
continuar com os protestos"Depois de várias
tentativas frustradas de
negociação com o Governo do
Estado, os policiais civis, que
entram hoje no 83º dia de greve,
decidiram realizar mobilizações
nos comícios e caminhadas da
Frente Popular, que respalda a
candidatura do governador Miguel
Arraes. A primeira manifestação
ocorreu durante o comício,
realizado anteontem, na
comunidade de Santa Luzia, na
Torre. O advogado da Frente
Popular Ivanildo Figueiredo
entrou, ontem, com uma
representação junto ao Tribunal
Regional Eleitoral solicitando
providência contra os protestos
dos policiais, que reivindicam
75,2% de reajuste salarial. O
presidente do Sinpol, Herinque
Leite, falou ao JC sobre as
mobilizações.
JC - Por
quê a categoria decidiu
protestar nos comícios da Frente
Popular?
Henrique
Leite - Tentamos de tudo e
não conseguimos ser recebidos
pelo Governo. Já acionamos
entidades e lideranças
políticas e nada. A decisão da
mobilização ocorreu por
unanimidade, numa assembléia no
início de julho, e só anteontem
foi colocada em prática. A
intenção é negociar.
JC - Qual a
intenção do mote do protesto:
"Diga aonde você vai que eu
vou varrendo". O que vocês
pretendem varrer?
HL- Não
vamos varrer sujeira de ninguém.
Queremos mostrar que vamos seguir
os passos do governador para
chamar atenção e abrir as
negociações, dificultadas por
setores radicais do Governo, que
acham melhor o confronto.
JC- Mas
setores do Governo criticam a
posição do Sinpol
classificando-o de
"xiita", ligado a ala
radical do PT?
HL- Já
mostramos que não somos
radicais. Saímos, em 97, de uma
greve de 22 dias sem nada, só
com a perspectiva de negociação
que não ocorreu. Até na guerra
se negocia. Saddam Hussein
negociou com os Estados Unidos. O
Sinpol tem filiados do PT e de
outros partidos, mas não
misturamos o sindicato com
política partidária. Eles
queriam que o Sinpol se vendesse
como a CUT e outros sindicatos e
não conseguiram.
JC- Qual a
reação da categoria ao ser
chamada de baderneira pelo
deputado Pedro Eurico (PSB)?
HL-
Quando se vai fazer baderna não
se chama a imprensa. Se a gente
quisesse acabar com um comício
acabaria e ninguém iria saber.
Nosso interesse é garantir o
direito de greve. Muitos dos que
reclamam já protestaram em
comícios de Fernando Collor e
FHC.
JC- Estão
sendo pressionados para acabar
com a greve?
HL- Ao
invés de negociar, o Governo
paga para um bocado de
subserviente ficar grampeando
nossos telefones. Não temos o
que esconder somos transparentes.