- -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998

ELEIÇÕES 98
Coligações ainda sofrem para conseguir recursos

por ANA LÚCIA ANDRADE

A chiadeira é geral entre as coligações envolvidas na campanha eleitoral: não está sendo fácil conseguir doações para a campanha política. Das três maiores coligações que disputam o Governo do Estado, apenas a União por Pernambuco, do candidato Jarbas Vasconcelos (PMDB), não fala - abertamente - em dificuldades, mas ainda assim há quem admita que não foi fácil "deslanchar" a campanha. Essa dificuldade é apontada também pelos palanques que disputam a sucessão presidencial, inclusive o da campanha à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.

No Recife, ontem, o comando da campanha do senador tucano Carlos Wilson sentiu na pele um problema provocado pelo pouco fluxo de caixa: o grupo de xaxado Cabras de Lampião deslocou-se de Serra Talhada, no Sertão do Pajeú, para cobrar um débito que teria sido deixado pela campanha do PSDB (veja matéria ao lado). O episódio pode não ser um dos exemplos mais ilustrativo, mas evidencia a dificuldade em obter recursos. Não que se atribua apenas à falta de dinheiro a "timidez" na performance de Carlos Wilson. Mas a "estrutura pequena de trabalho", percebida pelos profissionais contratados, impede bastante a viabilização de estratégias de marketing essenciais à uma campanha política.

Muitos dos envolvidos são unânimes em afirmar, seja respaldado em argumentos técnicos ou simplesmente na impressão diária da apatia que toma conta da equipe, que "a campanha ainda não imprimiu o ritmo necessário". Esses mesmos observadores não escondem a constatação de que seria necessário um "grande evento" - o que demanda recursos - para o tucano alçar vôo.

Se a posição tímida de Carlos Wilson nas pesquisas é um dos principais obstáculos à captação de dinheiro, a postura adotada pela executiva nacional do PSDB - de "mão-fechada" - só piora ainda mais a situação. "A nacional está realmente tratando Carlos Wilson a pão e água. Pagando só o mínimo, e olhe lá", disse, em reserva, um tucano. E olhe que Carlos Wilson é o tesoureiro nacional do partido. O dinheiro contado do PSDB saiu para algumas inserções na TV e para contratação de pesquisas.


     

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