ELEIÇÕES 98 IV
Frente
Popular usa telemarketing atrás
de doaçõesA Frente Popular decidiu
recorrer ao telemarketing na
tentativa de angariar recursos
para a campanha. Na ausência de
empreiteras e construtoras, que
antes financiavam boa parte dos
custos, o tesoureiro da
coligação liderada pelo
governador Miguel Arraes (PSB),
Iran Padilha, escalou uma equipe
de seis pessoas para tentar
"sensibilizar", pelo
telefone, empresários,
profissionais liberais,
comerciantes e técnicos.
"Os recursos estão
difíceis de serem viabilizados.
As grandes empresas estão mais
acanhadas. Com as pessoas
físicas, estamos conseguindo as
contribuições dentro dos
limites", explicou.
Além da crise
do mercado financeiro, os
assessores da Frente apontam dois
outros fatores que, segundo eles,
estariam dificultando o reforço
do caixa: ainda o aspecto
negativo do chamado escândalo PC
Farias - o tesoureiro da campanha
presidencial de Collor - e a Copa
do Mundo. Eles acham que, com
toda a estratégia de marketing
montada pelas empresas para
promover os jogos da Copa, as
empresas comprometeram quase todo
o orçamento e poucas se
arriscam, agora, a fazer
doações aos candidatos.
Iran Padilha
disse que todo o dinheiro
conseguido está sendo destinado
para as duas prioridades da
campanha: a propaganda e o guia
eleitoral. "São os nossos
maiores custos", salientou,
sem revelar valores.
Admitindo a
crise, o coordenador da campanha
de Arraes para o interior,
Adilson Gomes, achou positiva a
redução do tempo de campanha.
"Ainda bem que foi encurtado
para três meses. Mesmo assim,
ainda falta dinheiro",
lamenta. A campanha de Arraes
está orçada em aproximadamente
R$ 5 milhões, como foi
registrada junto ao TRE.