- -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998

ELEIÇÕES 98 V
Crise também atinge palanques nacionais

Não são apenas os candidatos aos governos dos estados que estão encontrando dificuldades para financiar as suas campanhas. Na esfera nacional, os problemas atingem desde Lula (PT) e Ciro Gomes (PPS), até o líder absoluto nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). FHC, inclusive, inaugurou um site na Internet para que seus eleitores façam doações. Já a coordenação da campanha de Lula adiou a colocação de outdoors nas ruas, enquanto Ciro Gomes teve que pechinchar na hora de contratar equipes de publicidade, reduzindo em até 80% os custos com a produção do seu guia eleitoral.

Na semana passada, o tesoureiro da campanha de FHC, o ex-ministro Bresser Pereira, admitiu que não será possível arrecadar os R$ 73 milhões previstos para a campanha de reeleição do presidente. "A previsão é de chegar ao máximo de R$ 50 milhões", afirmou, na ocasião. Assessores do comitê do presidente acreditam que setores prejudicados por medidas tomadas por Fernando Henrique estão se negando a colaborar. Para captar recursos FHC está apelando até para a página de sua coligação na Internet (www.fernandohenrique98.org.br.), onde os usuários podem fazer doações.

A "crise" que atinge a campanha é ainda mais visível entre os outros candidatos. O segundo colocado nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva, abriu mão de parte dos outdoors proporcionais a que tem direito simplesmente porque não existe dinheiro para pagá-los. "Até agora só conseguimos R$ 500 mil, que só daria para 15 dias de exposição da propaganda", revelou, na semana passada, a secretária de finanças da campanha de Lula, Clara Ant. A coordenação acredita que as dificuldades aumentaram em relação a campanha de 94 porque, na época, Lula aparecia com 40% das intenções de voto. Hoje, o candidato está oscilando entre 25% e 28%.

O candidato do PPS, Ciro Gomes, foi obrigado a promover uma reformulação total na sua equipe de publicidade. Desistiu da agência Trade Mark - que pedia R$ 4 milhões para produzir o guia eleitoral no rádio e TV - e contratou o publicitário Antonio Ferreira da Costa Neto, criador da campanha do sanduíche Big Mac com o professor de português Pasquale Neto. Com isso, o candidato conseguiu reduzir o gasto de R$ 4 milhões para R$ 800 mil.


     

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