- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 30 de julho de 1998

ALENTEJO III
Região abriga ruínas de alto valor arqueológico

O Alentejo é uma região de grande valor arqueológico, reunindo objetos e construções dos mais diversos povos e períodos. Caminhando despretensiosamente o visitante pode-se deparar, por exemplo, com uma enorme pedra com antigas inscrições romanas enfeitando a fachada de uma casa na cidadezinha de Marvão. Em pleno centro de Évora, não se tem apenas uma pedra, mas diversas colunas, ainda em pé, do que foi um grandioso templo romano, chamado Templo de Diana (embora não tenha sido, acredita-se, construído para a deusa).

Entre os mais recentes e importantes alvos de pesquisas arqueológicas estão as ruínas da cidade romana chamada Ammaia, situada nas terras de Marvão, que teria sido engolida pela terra durante um grande terremoto. As escavações que revelaram as ruínas começaram em 1994, quando a Quinta do Deão (em cujas terras está soterrada cidade) foi comprada por um novo dono e doada à Fundação Cidade de Ammaia, que tem por objetivo estudar e valorizar o patrimônio da região, sendo responsável pelos trabalhos desenvolvidos hoje no local.

Uma equipe de arqueólogos está trabalhando no lugar há três anos e descobriu que a zona baixa da cidade encontrava-se bem preservada, reforçando a tese de que ela teria sido mesmo soterrada, por causas ainda não explicadas, e estaria intacta, enterrada a grandes profundidades. No local, vê-se, hoje, na superfície, o que restou de uma praça pública que ladeava uma das portas da cidade. Peças com inscrições romanas foram recolhidas pelos pesquisadores e estão em exposição no Museu Municipal de Marvão.

Antes disso, por volta do século do século 16, várias peças tinha sido retiradas do local para serem utilizadas em construções locais. De lá saíram pedras com que foram feitos palácios e igrejas em Portalegre e muralhas em Castelo de Vide e Marvão (lembra daquela pedra com inscrição romana enfeitando a fachada?). No princípio deste século, no entanto, pouco se via na superfície. Apenas alguns muros que a população local costumava dizer que a terra não tinha conseguido engolir junto com o resto da cidade. O terreno virou lavoura até que foram descobertas e desenterradas as ruínas que hoje os turistas admiram e permitem constatar que há muito mais sob a terra.

Os registros bibliográficos sobre Ammaia revelam que ela também foi alvo das atenções dos islâmicos, no século 9, quando Ibn Marwan ocupou a região e intitulou-se senhor de Ammaia. Os pesquisadores que estão trabalhando na região pretendem reunir essas e outras histórias no Pólo Romano do Museu Municipal de Marvão, que têm planos de constituir através da Fundação Cidade Ammaia.

Para quem quiser visitar o lugar e conhecer mais sobre a história da cidade, é possível agendar passeios à Quinta do Deão entrando em contato com o Centro de Turismo de Marvão - telefone: (045) 93104.

CROMELEQUE - Para quem quiser voltar ainda mais no tempo, a dica é conhecer, nos arredores de Évora, o Cromeleque dos Almendres, monumento do período Neolítico. Formado por 95 pedras cuidadosamente ordenadas, compondo dois círculos, atesta a presença do homem na região há seis mil anos.

Trata-se do maior cromeleque da Península Ibérica, onde pressupõe-se que eram realizados ritos de fertilidade e cerimônias religiosas. A partir de Évora, são organizadas excursões para visitar o local. Detalhes: Região de Turismo de Évora - F.(066) 74.25.34.


     

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