ALENTEJO IV
População
alentejana é formada basicamente
por pessoas idosasAo visitar o Alentejo
você vai se deparar com pessoas
que, em sua maioria, já viram
muito coisa nessa vida. Portugal
tem uma população idosa bem
expressiva (há uma média de 1,7
trabalhador ativo para cada
aposentado, índice que já foi
de 14 para 1) e o Alentejo
concentra grande parte dela.
Estudo realizado no início da
década indicava que, para cada
100 pessoas com menos de 15 anos
residentes no Alentejo, havia 115
com mais de 65. A realidade não
mudou. Pelo contrário. Continua
forte o fluxo migratório de
jovens para cidades
industrializadas.
Ficam na
região senhores e senhoras que
preservam o modo de viver e ver o
mundo cultuado quando eles
próprios ainda eram jovens. São
figuras como a calorosa dona
Jenoveva Maria Penas, 76 anos.
Moradora de Beja, ela faz
típicos bolinhos com massa de
pão, vendidos a 40 escudos (algo
perto de R$ 0,20). O detalhe:
eles são assados num imenso
forno de 1829, o único deste
tipo em toda a cidade. A raridade
faz parte do cotidiano de dona
Jenoveva como o mais comum dos
utensílios de cozinha. Um traço
bem peculiar da vida dos
alentejanos, acostumados a
conviver com construções e
objetos de grande valor
histórico.
Fã das novelas
brasileiras, dona Jenoveva leva
um tempinho para lembrar quem é
o atual presidente de Portugal,
Jorge Sampaio, mas não esquece o
nome de O Rei do Gado e Gabriela.
Quando não está cozinhando,
gosta mesmo é de limpar a casa,
outra característica do
alentejano, que mantém as ruas
varridas e as paredes das casas
sempre imaculadamente brancas.
Desde que
casou, aos 14 anos, dona Jenoveva
não entra num cinema. A vida que
conhece é aquela de Beja e a das
nossas novelas ("o velho é
que não gosta", diz,
referindo-se ao marido). Lisboa
é seu limite geográfico. Nunca
foi além. Nem precisa. Seu mundo
é o Alentejo. E para ela basta.