RODOVIÁRIA
Empresas
de ônibus entram na brigaNa briga das empresas
aéreas, as companhias de ônibus
saíram, pelo menos, arranhadas.
As reduções de até 60% nas
tarifas aéreas para dentro do
país fizeram com que os preços
quase se igualassem aos das
viagens terrestres, com larga
desvantagem em tempo e conforto
para essas últimas. Enquanto o
setor de aviação desce os seus
preços ao patamar dos valores
cobrados nos guichês de
rodoviória, as empresas de
ônibus tentam fazer o que parece
impossível: oferecer um serviço
próximo ao dos aviões e ainda
promover descontos de até 40%,
quando não deixam o passageiro
viajar de graça.
Os aviões
ainda não representam ameaça
para as empresas de ônibus que
fazem percursos mais curtos, como
a Progresso, cujo destino mais
distante do Recife é São Luiz,
no Maranhão, com 24 horas de
viagem. "Nesses casos, ainda
compensa ir de ônibus",
afirma o diretor Técnico da
Progresso, Paulo Jorge. Para as
outras, no entanto, o sinal de
que alguma coisa precisava ser
feita ou o segmento de transporte
rodoviário ia perder o rumo veio
quando começou a se constatar
uma queda na quantidade de
passageiros.
Foi o que
aconteceu com a São Geraldo, que
chegou a perder 13% dos seus
viajantes. Isso obrigou a empresa
a adotar uma série de políticas
"extremamente
agressivas", como qualifica
o superintendente comercial da
empresa, Wanderley Pereira. A
política adotada há quatro
meses pela São Geraldo inclui
redução de preço de até 40%
em algumas das 110 linhas
oferecidas no país e desconto de
100% para crianças de até 8
anos, quando a lei garante
gratuidade só até 5 anos.
Outra novidade
da São Geraldo foi colocada em
prática nas BRs 101 e 116, que
vão de São Paulo à Bahia.
Foram criados pontos de parada
para refeição, com pratos a R$
2,80, cada, preparados sob a
orientação de nutricionistas da
empresa (incluindo três opções
de carne). Todas essas medidas,
no entanto, ainda não foram
suficientes para reverter a atual
redução de até 2,5% no número
de passageiros, comparando com
dados do mesmo período do ano
passado.
A situação da
Itapemirim era mais confortável,
mas não menos preocupante.
"Nos dois primeiros meses do
Plano Real, verificamos um
aumento constante no número de
passageiros", informa o
assessor de imprensa da empresa,
Delamar da Cruz. "Depois
disso, houve uma estabilização
numa média de 500 mil
passageiros por mês e que
continua até hoje", afirma.
Para tentar
mudar, a Itapemirim se viu
obrigada a oferecer, além da
redução de até 40% nos preços
de algumas tarifas para os
viajantes idosos e crianças de 5
a 10 anos, alguns serviços que
lembram bem as companhias
aéreas. Uma central de venda de
passagens via telefone com
entrega do bilhete na casa do
cliente foi uma das reações da
companhia (o serviço ainda não
está disponível no Recife). Já
a São Geraldo criou um cartão
de fidelidade para os viajantes
mais freqüentes, novidade antes
restrita aos aeroportos.
AVIÃO
TERRESTRE - Se a rapidez tira
pontos dos ônibus, as empresas
tentam fazer com que o conforto
não fique a desejar. A
Itapemirim lançou um novo
veículo, o Golden Service, que
pode ser comparado à primeira
classe de algumas companhias
aéreas. Em vez de 38 lugares, o
número de assentos cai para 24,
o que significa mais espaço
entre as poltronas. A empresa
pretende investir US$ 3,2
milhões este ano e aumentar a
frota dos novos carros.
Além de fazer
sua parte, as empresas
rodoviárias apostam no cansaço
da política de preços das
empresas aéreas. "Elas já
estão dando sinais de que estão
perdendo o fôlego. Há empresas
deixando de pagar os seus
funcionários", revela o
superintendente comercial da São
Geraldo. "Mesmo com a
vantagem de pagar apenas 4% de
ICMS sobre cada bilhete, ao passo
que nós pagamos 14% na venda de
uma passagem", diz. (S.R.L.)