ZELO
Carros
pertencentes a idosos ou mulheres
são mais valorizadosA melhor garantia de um
carro usado é a sua
procedência. Automóveis de um
único proprietário e que rodam
pouco, geralmente são bem
conservados e possuem um valor de
revenda entre 10% e 15% a mais.
Se enquadram nesse perfil, os
veículos cujos donos são
mulheres, médicos, professores
ou idosos. "Essas pessoas
costumam ser mais
cuidadosas", diz o gerente
de carros novos da Cidar, Kyoto
Néry.
Não é à toa
que a professora Maria Marlene de
Lima vive recebendo elogios e ao
mesmo tempo, propostas para
vender o Corsa ano 97. Seu
automóvel, com apenas 10 km
rodados, parece nunca ter saído
da garagem. "Limpo ele toda
semana e dou uma lavagem completa
mensalmente", diz. Além
disso, ao perceber qualquer
barulho estranho, a consumidora
consulta uma oficina autorizada.
"Aprendi
que se deve tratar bem um
automóvel, pois é um objeto de
valor", lembra o major
aposentado do Exército, Abílio
de Freitas Cavalcanti. Aos 84
anos, ele não relaxa na
conservação do Palio, que
comprou da filha médica, ano
passado. Se vai ao shopping ou ao
Hospital do Exército, deixa o
carro sempre na mesma vaga.
"Debaixo da árvore,
protegido do sol".
A médica
infectologista Isabel Guimarães,
embora leve uma vida corrida,
nunca descuida da manutenção do
Suzuki Baleno. "Comprar um
automóvel meu é um filé",
brinca ela. A médica não admite
sob nenhuma hipótese, emprestar
o seu carro. "É um objeto
de uso pessoal", afirma.
De acordo com
Néry, cada dia está mais
difícil para as concessionárias
adquirir veículos usados de
"procedência". Uma das
razões, explica, é o fim do
consumidor que trocava de carro
todos os anos e a queda do poder
aquisitivo das famílias de
classe média, que antes tinham
mais de um automóvel e
atualmente, possuem apenas um
para uso geral. "Mas os
carros de pessoas de idade ou que
possuem veículos de luxo,
médicos e mulheres continuam
sendo os mais conservados".