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LUTA
Movimento dos sem-terra inicia a grande "Marcha do Nordeste"

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) iniciou no final de semana a "Marcha do Nordeste", com grupos de sem-terra partindo de três cidades da região em direção ao Recife. Dois grupos saíram ontem, de Arcoverde (252 km da capital), no sertão do estado, e Maceió (AL). Um grupo iniciou a caminhada em Natal (RN) no sábado.

O objetivo da marcha, segundo o MST, é reivindicar reforma agrária na região e a "implantação de programas emergenciais contra a seca, o desemprego e a miséria". "O Nordeste já está sofrendo mais uma vez com a seca, sem que até agora exista qualquer ação de governo para melhorar a situação do povo", disse Jaime Amorim, coordenador do MST em Pernambuco.

"Se em períodos normais a miséria já é grande na região, imagine quando existe seca", afirmou. Segundo o MST, cerca de 1.500 pessoas participam da marcha. A maioria porta instrumentos de trabalho, como foices e facões. A manifestação deve ser ser encerrada com um ato público diante do prédio da Sudene, em 17 de abril - data que marca os dois anos da morte de 19 sem-terra em Eldorado do Carajás (PA).

Até chegar ao Recife, cada um dos grupos deve percorrer cerca de 300 quilômetros, passando por 30 municípios - onde devem parar para distribuir panfletos com as reivindicações do movimento. A marcha é uma versão nordestina da caminhada nacional que os sem-terra realizaram no ano passado. Com a realização da "Marcha do Nordeste", o MST paralisou a série de invasões de terra que vinha realizando em Pernambuco desde a semana passada - 24, ao todo, incluindo uma faixa de terra nas margens do açude Serrinha, em Serra Talhada (414 km da capital).

O MST de Alagoas iniciou ontem pela manhã a grande marcha a Recife, reunindo 600 famílias de trabalhadores rurais sem-terra de Alagoas, Sergipe e Bahia. Antes de deixarem a capital alagoana, eles participaram de uma missa na Praça dos Martírios, no centro da cidade, onde foi realizado um ato público em defesa da reforma agrária. Participaram da manifestação várias entidades sindicais e partidos políticos de esquerda. O ato público reuniu cerca 800 pessoas, segundo cálculo da Polícia Militar.

Empunhando bandeiras vermelhas do MST e instrumentos de trabalho, os sem-terra começaram a caminhada às 11 horas, rumo ao litoral Norte do Estado. Duas viaturas do Batalhão de transito davam proteção à marcha na saída da cidade. Um caminhão de apoio acompanha a marcha, levando água, uma tonelada de alimentos, utensílios de cozinha, roupas e cobertores dos manifestantes. A primeira parada aconteceu por volta das 16 horas, em Paripueira.




   

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