RACISMO
Morte
de Luther King longe de ser
desvendadapor MARIE SANZ
Agência France Press
MEMPHIS, EUA -
O debate sobre as circunstâncias
da morte de Martin Luther King se
intensificou nos Estados Unidos,
trinta anos depois de seu
assasinato em Memphis
(Tennessee), aumentando o número
de personalidades que pedem a
reabertura da investigação.
Os Estados
Unidos, e mais particularmente a
cidade de Memphis, evocou nesse
final de semana com diversas
cerimônias a morte do líder do
movimento para os direitos
cívicos, ao mesmo tempo em que
várias personalidades
reafirmaram sua convicação de
que o pastor negro foi vítima de
uma maquinação.
O presidente
norte-americano Bill Clinton se
reuniu com a viúva de de King
para discutir sobre o pedido de
uma investigação especial sobre
o assassinato do líder negro.
Clinton tambem informou a Coretta
Scott King que a secretária de
Justiça, Janet Reno, se manterá
em contato com ela, indicou o
assessor da Casa Branca, Rahm
Emmanuel.
Coretta Scott
King afirmou que existem novas
informações que confirmariam a
tese de uma conspiração
implicando outras pessoas, além
do assassino James Earl Ray, mas
não deu maiores detalhes.
Coretta indicou à imprensa que
deseja que seja instaurada uma
comissão para que sua família
possa ficar sabendo, de uma vez
por todas, a verdadeiras
circunstâncias que cercaram a
morte de seu marido.
Martin Luther
King foi baleado aos 39 anos de
idade, em 4 de abril de 1968, no
centro de Memphis. Seu assassino,
James Earl Ray, con antecedentes
penais, foi condenado a 99 anos
de prisão. Ray, que se encontra
doente na prisão, confessou
inicialmente ter dispardo contra
King, mas depois disse que não
havia atuado sozinho.
Ontem, Jesse
Jackson, atual enviado especial
para a promoção da democracia
na África e que se encontrava ao
lado de King no momento de sua
morte, indicou à CNN que também
pedirá a Clinton a abertura de
uma nova investigação. James
Earl Ray "não atuou
sozinho", afirmou.
"Muitas perguntas continuam
nos atormentando em relação ao
papel de nosso governo e do FBI
no assassinato de Martin Luther
King", acrescentou.
O ex-embaixador
dos Estados Unidos ante a ONU e
prefeito de Atlanta, Andrew
Young, que também lutou junto ao
pastor pelos direitos cívicos na
década de 60, indicou que havia
evidências de um encobrimento e
que as autoridades não haviam
seguido todas as pistas durante a
investigação do assassinato.
Um dos filhos
de King, Dexter, entrevistou-se
com Ray na prisão, e declarou
estar convencido de que ele é
inocente. A família King pediu
várias vezes a reabertura do
processo. Três investigações
oficiais, entre as quais uma que
concluiu na semana passada,
chegaram à conclusão de Ray era
o único responsável pelo
assassinato de King, e que não
havia provas conclusivas sobre a
participação de outras pessoas.
Na maior parte
de sua vida, Martin Luther King
teve de lutar contra o FBI, que
declarou contra ele uma
verdadeira guerra: escutas
telefônicas, chantagens,
ameaças, inclusive do diretor do
FBI, Edgar Hoover, que clasificou
o Prêmio Nobel da Paz de
"negro mais perigoso do
país".