PAIXÃO DE CRISTO II
O
velho Cristo ainda emocionapor DIANA MOURA
BARBOSA
Acertou quem
foi para o Arruda neste final de
semana acreditando que iria ver
um clássico. Foi exatamente isso
que o diretor José Pimentel, 100
atores e 400 figurantes - como
avisa o comercial do espetáculo
A Paixão de Cristo do Recife -
apresentaram para o público. Um
clássico das multidões,
certamente, mas que nada tem a
ver com o futebol, e sim com
cinema norte-americano.
Como a
linguagem desses filmes, tão
reprisados na sessões da tarde,
já foi assimilada pela maioria
do público, às vezes parece
óbvio que as peças de enredo
religioso tenham a mesma
estrutura. Mas, é claro que o
diretor poderia ter escolhido
dezenas de outras maneiras para
contar a sua história. A sua
concepção de Paixão de Cristo
é voltada exatamente para seu
público, num tamanho que se
encaixa como uma luva nas
dimensões do Arruda.
Toda a
estética da montagem está
ligada ao épico. Então, a
música que pontua o espetáculo
é vibrante, quase um personagem
a mais em cena. A iluminação
também tem vida própria. Já na
primeira cena da Paixão de
Cristo dá para perceber como a
luz vai "agir" na
peça. Ela é geralmente usada
para criar ritmo e movimento nas
cenas mais estáticas. Destaque
para a bela cena da
crucificação, com feixes de luz
sendo projetados por trás da
cruz e para o alto.
O diretor e
ator José Pimentel usa e abusa
dos efeitos especiais. Alguns
são até de gosto duvidoso, como
uma pombinha desenhada com raio
laser que fica "voando"
em algumas cenas. Mas, o efeito
dos fogos de artifício é bem
interessante. Principalmente na
cena do Bacanal de Herodes. O
público gostou tanto que
aplaudiu em cena aberta, como
também aconteceu nos momentos em
que Jesus fala com as crianças,
no enforcamento de Judas, no
calvário, na crucificação e na
ascensão. Neste último momento,
o público fica realmente
emocionado. Como em todos os
clássicos das multidões,
aparecem lágrimas. Só que aqui,
elas são derramadas pelos
torcedores do time campeão.