- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 06 de abril de 1998

PAIXÃO DE CRISTO II

O velho Cristo ainda emociona

por DIANA MOURA BARBOSA

Acertou quem foi para o Arruda neste final de semana acreditando que iria ver um clássico. Foi exatamente isso que o diretor José Pimentel, 100 atores e 400 figurantes - como avisa o comercial do espetáculo A Paixão de Cristo do Recife - apresentaram para o público. Um clássico das multidões, certamente, mas que nada tem a ver com o futebol, e sim com cinema norte-americano.

Como a linguagem desses filmes, tão reprisados na sessões da tarde, já foi assimilada pela maioria do público, às vezes parece óbvio que as peças de enredo religioso tenham a mesma estrutura. Mas, é claro que o diretor poderia ter escolhido dezenas de outras maneiras para contar a sua história. A sua concepção de Paixão de Cristo é voltada exatamente para seu público, num tamanho que se encaixa como uma luva nas dimensões do Arruda.

Toda a estética da montagem está ligada ao épico. Então, a música que pontua o espetáculo é vibrante, quase um personagem a mais em cena. A iluminação também tem vida própria. Já na primeira cena da Paixão de Cristo dá para perceber como a luz vai "agir" na peça. Ela é geralmente usada para criar ritmo e movimento nas cenas mais estáticas. Destaque para a bela cena da crucificação, com feixes de luz sendo projetados por trás da cruz e para o alto.

O diretor e ator José Pimentel usa e abusa dos efeitos especiais. Alguns são até de gosto duvidoso, como uma pombinha desenhada com raio laser que fica "voando" em algumas cenas. Mas, o efeito dos fogos de artifício é bem interessante. Principalmente na cena do Bacanal de Herodes. O público gostou tanto que aplaudiu em cena aberta, como também aconteceu nos momentos em que Jesus fala com as crianças, no enforcamento de Judas, no calvário, na crucificação e na ascensão. Neste último momento, o público fica realmente emocionado. Como em todos os clássicos das multidões, aparecem lágrimas. Só que aqui, elas são derramadas pelos torcedores do time campeão.


     

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