- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 06 de abril de 1998

FESTIVAL

Percpan deixa público extasiado

por FLÁVIA DE GUSMÃO
Enviada Especial

SALVADOR - O V PercPan - Panorama Percussivo Mundial - terminou sábado com duas certezas. A primeira delas é que a idéia da empresária Beth Cayres, a princípio tida como visionária, de fazer um festival de três dias que pudesse esboçar as tendências da percussão do mundo todo, já faz parte do calendário de uma cidade onde a concorrência de eventos musicais é fortíssima. A outra faz cair por terra a máxima de que casa de espetáculos cheia só acontece quando as atrações têm por trás o impulso quantitativo, mas nem sempre qualitativo, da indústria fonográfica.

Foi um Teatro Castro Alves repleto todos os dias que ouviu extasiado e com o devido respeito - sempre há as exceções desonrosas - músicos que não pertencem à corrente principal do mercado e outros que nem chegaram a gravar ainda. Dividiram o palco com a mesma competência feras como o grupo senegalês Doudou N'Diaye Rose, o alagoano Hermeto Pascoal, o ganense Aja Addy e experiências em processo como o Frutos do Mangue, grupo pernambucano criado especialmente para o festival, e o Lactomia, um produto assinado por Carlinhos Brown.

A última noite do PercPan foi um resumo das duas noites anteriores, fazendo com que os 13 representantes tivessem de dar seus recados em apenas 15 minutos. Quem acompanhou toda a jornada deu-se por satisfeito com o bis, mas quem sá compareceu ao encerramento pode ter ficado com uma idéia mais pálida do evento.

Uma pena que poucos ousaram uma fusão que teria tornado a experiência mais interessante. Quem abriu o precedente foi a atriz, bailarina e percussionista italiana Alessandre Belloni. Com seu pandeiro e seu cântico mediterrâneo, ela abriu espaço para um diálogo inesquecível com a rabeca de Siba (Mestre Ambrásio) e a flauta de César Michilles. Igualmente memorável a passada de bola do Frutos do Mangue para a trupe de Hermeto Pascoal.

O Frutos do Mangue, formado por Naná Vasconcelos, Alceu Valença, Erasto Vasconcelos, Hélder, Siba, Ari Jibóia, Genaro, César Michilles e Eduín conseguiu seu melhor desempenhos na última noite do PercPan. Mais soltos, a química entre um time que, embora feito de craques, nunca jogou junto se intensificou na última apresentação. O Frutos do Mangue optou por dar uma varrida nos vários gêneros musicais pernambucanos - teve coco, maracatu e forró. Sem muita ousadia, mas com energia de sobra para levantar a platéia.

As honras do encerramento ficou para Doudou Rose que entrou no palco logo depois dos japoneses do Wadaiko Yamato. Um excelente contraste, aliás, a percussão energética, quase marcial e disciplinada do Wadaiko com a batida sensual dos africanos, mais práxima da nossa. A despedida terminou de forma cartática com todos no palco entoando um canto senegalês pela paz. Axé.

A jornalista viajou a convite da organização do festival

 
     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes