FESTIVAL
Percpan
deixa público extasiadopor FLÁVIA DE
GUSMÃO
Enviada Especial
SALVADOR
- O V PercPan - Panorama
Percussivo Mundial - terminou
sábado com duas certezas. A
primeira delas é que a idéia da
empresária Beth Cayres, a
princípio tida como visionária,
de fazer um festival de três
dias que pudesse esboçar as
tendências da percussão do
mundo todo, já faz parte do
calendário de uma cidade onde a
concorrência de eventos musicais
é fortíssima. A outra faz cair
por terra a máxima de que casa
de espetáculos cheia só
acontece quando as atrações
têm por trás o impulso
quantitativo, mas nem sempre
qualitativo, da indústria
fonográfica.
Foi um Teatro
Castro Alves repleto todos os
dias que ouviu extasiado e com o
devido respeito - sempre há as
exceções desonrosas - músicos
que não pertencem à corrente
principal do mercado e outros que
nem chegaram a gravar ainda.
Dividiram o palco com a mesma
competência feras como o grupo
senegalês Doudou N'Diaye Rose, o
alagoano Hermeto Pascoal, o
ganense Aja Addy e experiências
em processo como o Frutos do
Mangue, grupo pernambucano criado
especialmente para o festival, e
o Lactomia, um produto assinado
por Carlinhos Brown.
A última noite
do PercPan foi um resumo das duas
noites anteriores, fazendo com
que os 13 representantes tivessem
de dar seus recados em apenas 15
minutos. Quem acompanhou toda a
jornada deu-se por satisfeito com
o bis, mas quem sá compareceu ao
encerramento pode ter ficado com
uma idéia mais pálida do
evento.
Uma pena que
poucos ousaram uma fusão que
teria tornado a experiência mais
interessante. Quem abriu o
precedente foi a atriz, bailarina
e percussionista italiana
Alessandre Belloni. Com seu
pandeiro e seu cântico
mediterrâneo, ela abriu espaço
para um diálogo inesquecível
com a rabeca de Siba (Mestre
Ambrásio) e a flauta de César
Michilles. Igualmente memorável
a passada de bola do Frutos do
Mangue para a trupe de Hermeto
Pascoal.
O Frutos do
Mangue, formado por Naná
Vasconcelos, Alceu Valença,
Erasto Vasconcelos, Hélder,
Siba, Ari Jibóia, Genaro, César
Michilles e Eduín conseguiu seu
melhor desempenhos na última
noite do PercPan. Mais soltos, a
química entre um time que,
embora feito de craques, nunca
jogou junto se intensificou na
última apresentação. O Frutos
do Mangue optou por dar uma
varrida nos vários gêneros
musicais pernambucanos - teve
coco, maracatu e forró. Sem
muita ousadia, mas com energia de
sobra para levantar a platéia.
As honras do
encerramento ficou para Doudou
Rose que entrou no palco logo
depois dos japoneses do Wadaiko
Yamato. Um excelente contraste,
aliás, a percussão energética,
quase marcial e disciplinada do
Wadaiko com a batida sensual dos
africanos, mais práxima da
nossa. A despedida terminou de
forma cartática com todos no
palco entoando um canto
senegalês pela paz. Axé.
A
jornalista viajou a convite da
organização do festival