TRANSTORNO
Corpos
ficam expostos e provocam mau
cheiro no IMLpor ROBERTA SOARES
A demora na
transferência para as novas
instalações do Instituto de
Medicina Legal (IML) tem tirado o
sossego de funcionários e de
pessoas que circulam no local.
Neste fim de semana a situação
ficou caótica. Até ontem ao
meio-dia, 12 corpos permaneciam
expostos ao sol, provocando um
mau cheiro insuportável em todo
o instituto. O fedor era tão
grande que nem mesmo a imprensa
conseguiu permanecer no interior
do IML. Para piorar ainda mais, a
única geladeira que está sendo
usada para guardar os corpos
quebrou e, no lugar de gelar,
estava esquentando.
As
reclamações eram constantes e
partiam tanto de funcionários,
de gente que trabalha próximo ao
instituto, como de pessoas que
passavam em frente ao local. O
que ninguém entendia é o fato
de as novas instalações já
estarem prontas e a direção
não definir a data da
transferência. "Isso é um
absurdo. Precisa ver como está a
situação lá dentro. A
geladeira está parada e os
corpos estão sendo comidos pelos
tapurus, sem que ninguém faça
nada", reclamava um
funcionário, que por medo de
represálias preferiu não se
identificar.
O local onde as
necropsias estão sendo
realizadas é totalmente
impróprio. Nem sequer gavetas
existem para separar os corpos,
que terminam ficando uns sobre os
outros. "Isso representa
até um risco para nós.
Principalmente para os médicos
legistas, que ficam sem qualquer
estrutura de trabalho. O que
ninguém entende é porque não
fazem logo a transferência. Há
um mês que tá tudo
pronto", disse um
funcionário de uma das
funerárias que fazem plantão no
local.
Um dos corpos
que mais contribuía para a
fedentina era o de um homem que
foi morto por um tubarão,
encontrado na praia de Boa Viagem
na semana passada. "Desde
terça-feira que ele está aí e
vai ficar até a próxima terça
(amanhã), quando será enterrado
na caridade. O corpo chega tá
preto e duro, de tanto sol que
tem levado", contou um
funcionário.
O diretor do
IML, William Amaral, disse as
obras serão concluídas em uma
semana. Segundo ele, o
equipamento que apresentou
defeito não foi a geladeira, mas
um frigorífico, onde os corpos
ficam juntos. "O defeito
surgiu no sábado, mas o técnico
só poderá consertar na
segunda-feira (hoje)",
justificou Amaral. As novas
instalações do IML, de acordo
com ele, contarão com uma
geladeira com 36 gavetas que foi
recuperada.