- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - ---Jornal do Commercio - Recife, 06 de abril de 1998

SAÚDE

Paciente submetido a transplante de fígado terá alta em dez dias

por PEDRO TINÔCO

O paciente José Adenilson Magno de Queiroz, 55 anos, que foi submetido a um transplante de fígado, sexta-feira, no Hospital Memorial São José, passa bem e deverá receber alta em dez dias. Ele era portador de cirrose hepática decorrente de hepatite C e, caso não realizasse o transplante, poderia morrer em um ano. Os médicos responsáveis pela cirurgia garantem que José estará completamente recuperado dentro de seis meses. Este foi o segundo transplante de fígado realizado no Norte/Nordeste.

O transplante hepático é considerado pelos médicos a mais complexa intervenção cirúrgica no corpo humano. Além da dificuldade de encontrar um doador com grupo sangüíneo compatível com o do receptor, uma série de detalhes devem ser observados para o sucesso da operação. A pressão arterial do doador tem que estar estável e ele não poder ter um histórico de doenças do fígado ou ter sido usuário de bebida alcoólica. "Também tem a questão do tempo para retirada do órgão e a conservação na temperatura correta de quatro graus centígrados", acrescenta o médico Marcelo Sette.

Antes de ir para o corpo do receptor, o fígado é lavado em uma solução que preserva as células hepáticas. Três horas após ser colocado em uma caixa térmica, o órgão é implantado. O primeiro sinal de que tudo transcorreu normalmente é a cor escura e a consistência do órgão, além do aumento da temperatura do paciente (35°) e a produção de bile.

De acordo com a previsão dos médicos, José Adenilson voltará a ter uma vida absolutamente normal em seis meses. Ele poderá praticar esportes, trabalhar e fazer tudo que qualquer pessoa da sua idade faz. "Depois da recuperação, muitos se tornam esportistas. Não há qualquer restrição", informou o médico Marcelo Maia, que também participou da operação. Entretanto, para evitar problemas de rejeição do órgão, os transplantados precisam tomar dois medicamentos - cortizóides e ciclosporina A - pelo resto da vida.

EMPENHO - A equipe médica do Memorial São José ressaltou a importância do trabalho da Central de Transplantes de Pernambuco e do Instituto de Hemoterapia do Nordeste, que colaboraram para o sucesso da cirurgia, e o gesto solidário da família da doadora. Seis pessoas foram beneficiadas com as córneas, os rins, o coração e o fígado de Rita Judite Martins, vítima de um AVC.


     

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