SAÚDE
Paciente
submetido a transplante de
fígado terá alta em dez diaspor PEDRO TINÔCO
O paciente
José Adenilson Magno de Queiroz,
55 anos, que foi submetido a um
transplante de fígado,
sexta-feira, no Hospital Memorial
São José, passa bem e deverá
receber alta em dez dias. Ele era
portador de cirrose hepática
decorrente de hepatite C e, caso
não realizasse o transplante,
poderia morrer em um ano. Os
médicos responsáveis pela
cirurgia garantem que José
estará completamente recuperado
dentro de seis meses. Este foi o
segundo transplante de fígado
realizado no Norte/Nordeste.
O transplante
hepático é considerado pelos
médicos a mais complexa
intervenção cirúrgica no corpo
humano. Além da dificuldade de
encontrar um doador com grupo
sangüíneo compatível com o do
receptor, uma série de detalhes
devem ser observados para o
sucesso da operação. A pressão
arterial do doador tem que estar
estável e ele não poder ter um
histórico de doenças do fígado
ou ter sido usuário de bebida
alcoólica. "Também tem a
questão do tempo para retirada
do órgão e a conservação na
temperatura correta de quatro
graus centígrados",
acrescenta o médico Marcelo
Sette.
Antes de ir
para o corpo do receptor, o
fígado é lavado em uma
solução que preserva as
células hepáticas. Três horas
após ser colocado em uma caixa
térmica, o órgão é
implantado. O primeiro sinal de
que tudo transcorreu normalmente
é a cor escura e a consistência
do órgão, além do aumento da
temperatura do paciente (35°) e
a produção de bile.
De acordo com a
previsão dos médicos, José
Adenilson voltará a ter uma vida
absolutamente normal em seis
meses. Ele poderá praticar
esportes, trabalhar e fazer tudo
que qualquer pessoa da sua idade
faz. "Depois da
recuperação, muitos se tornam
esportistas. Não há qualquer
restrição", informou o
médico Marcelo Maia, que também
participou da operação.
Entretanto, para evitar problemas
de rejeição do órgão, os
transplantados precisam tomar
dois medicamentos - cortizóides
e ciclosporina A - pelo resto da
vida.
EMPENHO
- A equipe médica do
Memorial São José ressaltou a
importância do trabalho da
Central de Transplantes de
Pernambuco e do Instituto de
Hemoterapia do Nordeste, que
colaboraram para o sucesso da
cirurgia, e o gesto solidário da
família da doadora. Seis pessoas
foram beneficiadas com as
córneas, os rins, o coração e
o fígado de Rita Judite Martins,
vítima de um AVC.