- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - -- --Jornal do Commercio - Recife, 05 de abril de 1998

BIOQUÍMICA
Cientistas descobrem bacilo que consegue misturar óleo e água

HUGO VICTORINO
Agência Brasil

SÃO PAULO - "Atirar no que se vê e acertar no que não se vê". Este ditado popular caracteriza bem os primeiros resultados obtidos em um estudo realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que se direcionava ao setor alimentício, mas acabou tendo um resultado que poderá ser aplicado na área petroquímica. Pesquisadores do Laboratório de Bioquímica do Departamento de Ciências de Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp tentavam produzir um aditivo para ser incorporado a molhos, maioneses e cremes para utilização na indústria alimentícia, quando chegaram a um bacilo que apresenta a capacidade de misturar homogeneamente o petróleo na água.

O objetivo era melhorar a qualidade daqueles ingredientes alimentícios, uma vez que alguns não conseguem manter por muito tempo uma consistência cremosa satisfatória. Os primeiros passos da pesquisa levaram à seleção de uma linhagem de bacilos de solo da Região Nordeste, que apresentou a propriedade de produzir uma substância biosurfactante, ou seja, com características de proporcionar a mistura de substâncias oleosas com aquosas, por meio de num processo denominado de emulsificação.

Foi realizada, então, uma experiência juntando petróleo bruto e água, em que foi acrescentado o biosurfactante. O que se conseguiu pode ser considerado como uma esperança para a solução dos desastres ecológicos em que há derramamento de óleo no mar, por exemplo. O petróleo foi totalmente dissolvido pela água.

Para a professora Gláucia Maria Pastore, coordenadora do projeto, é muito prematuro ainda dizer da total possibilidade da utilização deste bacilo para esta finalidade. "Podemos dizer que é potencial a aplicação, mas ainda falta algum desenvolvimento para se chegar a um resultado final", disse ela. No seu entender os trabalhos deverão consumir mais dois ou três anos de pesquisas para então se chegar a uma conclusão mais abrangente.

Existem dúvidas, hoje, quanto à questão de rendimento e produção suficiente, para que a aplicação do método seja economicamente viável.

A idéia inicial era produzir um biosurfactante, e isto foi conseguido. Agora, pesquisa-se as propriedades que ele apresentará, que são as mais variadas e que podem ser exploradas. Gláucia explica que inicialmente se tem dado mais destaque à possibilidade da utilização no setor petroquímico, porque entidades ligadas à ecologia e meio ambiente se interessaram pelos resultados iniciais da pesquisa.


     

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