BIOQUÍMICA
Cientistas
descobrem bacilo que consegue
misturar óleo e águaHUGO VICTORINO
Agência Brasil
SÃO
PAULO - "Atirar no
que se vê e acertar no que não
se vê". Este ditado popular
caracteriza bem os primeiros
resultados obtidos em um estudo
realizado na Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp)
que se direcionava ao setor
alimentício, mas acabou tendo um
resultado que poderá ser
aplicado na área petroquímica.
Pesquisadores do Laboratório de
Bioquímica do Departamento de
Ciências de Alimentos da
Faculdade de Engenharia de
Alimentos da Unicamp tentavam
produzir um aditivo para ser
incorporado a molhos, maioneses e
cremes para utilização na
indústria alimentícia, quando
chegaram a um bacilo que
apresenta a capacidade de
misturar homogeneamente o
petróleo na água.
O objetivo era
melhorar a qualidade daqueles
ingredientes alimentícios, uma
vez que alguns não conseguem
manter por muito tempo uma
consistência cremosa
satisfatória. Os primeiros
passos da pesquisa levaram à
seleção de uma linhagem de
bacilos de solo da Região
Nordeste, que apresentou a
propriedade de produzir uma
substância biosurfactante, ou
seja, com características de
proporcionar a mistura de
substâncias oleosas com aquosas,
por meio de num processo
denominado de emulsificação.
Foi realizada,
então, uma experiência juntando
petróleo bruto e água, em que
foi acrescentado o
biosurfactante. O que se
conseguiu pode ser considerado
como uma esperança para a
solução dos desastres
ecológicos em que há
derramamento de óleo no mar, por
exemplo. O petróleo foi
totalmente dissolvido pela água.
Para a
professora Gláucia Maria
Pastore, coordenadora do projeto,
é muito prematuro ainda dizer da
total possibilidade da
utilização deste bacilo para
esta finalidade. "Podemos
dizer que é potencial a
aplicação, mas ainda falta
algum desenvolvimento para se
chegar a um resultado
final", disse ela. No seu
entender os trabalhos deverão
consumir mais dois ou três anos
de pesquisas para então se
chegar a uma conclusão mais
abrangente.
Existem
dúvidas, hoje, quanto à
questão de rendimento e
produção suficiente, para que a
aplicação do método seja
economicamente viável.
A idéia
inicial era produzir um
biosurfactante, e isto foi
conseguido. Agora, pesquisa-se as
propriedades que ele
apresentará, que são as mais
variadas e que podem ser
exploradas. Gláucia explica que
inicialmente se tem dado mais
destaque à possibilidade da
utilização no setor
petroquímico, porque entidades
ligadas à ecologia e meio
ambiente se interessaram pelos
resultados iniciais da pesquisa.