MAMÍFERO
MARINHO III
Aparecida
acelerou os planos do projetoA captura de dois
peixes-bois marinhos de vida na
natureza estavam nos planos dos
pesquisadores do Centro
Peixe-Boi/Ibama. "Aparecida
nos obrigou a acelerar nossos
projetos", diz o
oceanógrafo Régis Pinto de
Lima, chefe nacional do Centro
Peixe-Boi\Ibama. O objetivo da
captura seria o de colocar
rádios transmissores nos animais
para monitoramento de seu
deslocamento na natureza, já que
se observa o aparecimento de
exemplares nas áreas de
ocorrência apenas durante o
verão. Com a chegada de Cida,
Régis estuda a possibilidade de
Xuxu acompanhá-la quando solta
novamente. A intenção é,
também, que o sirênio de vida
livre ensine a Xuxu, criado desde
pequeno em cativeiro, os padrões
de deslocamento da espécie.
A
reintrodução de exemplares da
espécie Trichechus manatus na
natureza representa o principal
objetivo do trabalho realizado
pelo Centro Nacional de Manejo e
Conservação de Sirênios
(Centro Peixe-Boi\Ibama). A
primeira experiência aconteceu
em outubro de 1994, quando o
casal Astro e Lua foi solto na
praia de Paripueira, em Alagoas.
No entanto, eles acabaram se
separando, não conseguindo se
integrar a um grupo da espécie.
"Se satisfazem com a
presença dos humanos",
comenta Régis. Atualmente, Astro
se encontra na Lagoa de Mundaú,
em Maceió, e Lua na praia de
Porto de Pedras, ao norte de
Alagoas.
A ida de Folia
junto com Aparecida também está
sendo analisada. O único
problema, explica o oceanógrafo,
é que Folia, também criada
desde pequena no oceanário do
Centro Peixe-Boi - se apresenta
bastante domesticada. Mantidos em
cativeiro natural, Xuxu e Folia
adaptaram-se à nova
alimentação e já relacionam o
momento de descanso e atividade
com o movimento das marés. O
próximo aprendizado seria o
deslocamento no mar e a
integração com outros grupos.
"O que a Aparecida talvez
possa ensinar", diz.
LUA - Mais
três mamíferos marinhos estão
no oceanário do Centro Peixe-Boi
em Itamaracá aguardando para
serem reintroduzidos na natureza.
Aldo, Boi Voador e Guaju estão
sendo mantidos em contato
restrito com humanos. De acordo
com Régis, um dos três animais
pode ser solto na mesma
localidade onde está Lua. Esse
trecho do litoral alagoano
representa uma quebra nas áreas
de ocorrência da espécie no
litoral do Nordeste, onde a
estimativa é que existam menos
de 300 animais vivendo na
natureza. "Apesar de ter se
separado de Astro, Lua escolheu
um lugar onde a espécie está
extinta. A intenção é
repovoar, formar um grupo ao
norte de Alagoas, refazendo o
corredor biológico de
ocorrência". Os dois outros
animais devem ser removidos para
o cativeiro natural em Barra de
Mamanguape, até o final deste
ano. As pesquisas do Centro
Peixe-Boi têm o apoio da
Petrobras.