ICMS
Guerra
fiscal drena R$ 1,7 bi do Estadopor LUCIANA LEÃO
Programa de
concessão de incentivos fiscais
do Governo de Pernambuco vai
custar aos cofres públicos R$
1,767 bilhão - incluindo juros
mais correção - num prazo de
até 12 anos, desde 1995, quando
o Prodepe, que substituiu o Fundo
pelo Crescimento de Pernambuco
(Funcresce), do então governo de
Joaquim Francisco, foi
instituído. Os R$ 1,767 bilhão
que o Governo de Pernambuco deixa
de ganhar quando financia o ICMS
representa quase o valor previsto
pela venda da Companhia
Energética de Pernambuco
(Celpe), estimada pelo mercado em
R$ 2,1 bilhões.
Na guerra
fiscal pela atração de novos
investimentos, o Estado financia
para as empresas que se
instalarem o Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) devido em até
75% e concede abatimento de até
99% nas parcelas a serem pagas.
Desde a sua
criação, o Prodepe já
contratou 108 projetos em
diversos setores da economia como
têxtil, metal-mecânico,
bebidas, calçados, alimentos,
plástico e a indústria
gesseira. As empresas investiram
R$ 1,102 bilhão e 15.661
empregos foram gerados, sem
contar com os 23 projetos
aprovados na última reunião do
Condic - Conselho de
Desenvolvimento Industrial do
Estado de Pernambuco -, realizada
na semana passada.
Se o ICMS fosse
recolhido normalmente das
empresas os projetos aprovados
representariam o incremento de R$
3,765 bilhões na arrecadação
do tributo, responsável por
58,5% na participação da
receita total, que chegou a R$
2,720 bilhões). "Se não
concedemos incentivos, deixamos
de ter em nossa economia mais
emprego e infra-estrutura, pois
outros estados brigam pelos novos
investimentos", argumentou o
secretário de Planejamento do
Estado, João Recena.
Segundo ele,
atualmente as empresas
beneficiadas estão explorando a
fragilidade dos estados
nordestinos que são pobres e que
são obrigados a abdicar, por
exemplo, nos investimentos em
setores essenciais como
habitação, saúde e educação
por conta da guerra fiscal.
"Os empresários estão se
colocando numa posição de
força que vêm esmagando os
estados. O custo para os governos
que concedem os incentivos são
elevados e a cada dia se inventa
mais", disse Recena.
Para o
economista Maurício Costa
Romão, a política de incentivos
fiscais é a "coisa mais
nefasta que os governos estaduais
inventaram". Segundo ele, os
estados quando concedem
incentivos fiscais deixam de
fazer o "dever de
casa". "O caminho
deveria ser outro, como a
realização de ajuste fiscal e
de patrimônio por parte dos
estados. Como todos estão
fazendo a mesma coisa, o atrativo
passa a ser irrelevante e o que
conta é a atração
vocacional", opinou.
Romão acredita
que se a situação de
"guerra fiscal" entre
os estados permanecer, a economia
pode virar um caos. "Ou se
pára ou os estados literalmente
vão quebrar. É uma guerra que
não leva a nada, pois na maioria
dos investimentos não existe a
relação custo-benefício. Os
programas devem ser
revistos".
O presidente da
Agência de Desenvolvimento de
Pernambuco (AD-Diper), Sérgio
Ferreira, defende o programa e
avalia que os investimentos
gerados formam uma cadeia.
"Incentivos sempre existiram
e são algo positivo. Agora, até
onde se vai é a grande tônica.
Ninguém perde o que nunca
teve", afirmou Ferreira.