CONTAS PÚBLICAS
Estado
volta a registrar déficit em 97por ANGELA FERNANDA
BELFORT
Mesmo com o
aumento de 1,5% na arrecadação
do ICMS no ano passado, o Estado
voltou a apresentar um déficit
de R$ 107,3 milhões em suas
contas. Isso ocorreu porque as
despesas foram maiores que as
receitas. Em 96, Pernambuco teve
um superávit de R$ 298, 4
milhões devido aos recursos que
o Estado obteve com a venda dos
títulos públicos para pagar os
precatórios (dívidas
judiciais).
"Estamos
fazendo um grande esforço para
manter as despesas do Estado no
mesmo nível e aumentar as
receitas", disse o
secretário de Planejamento de
Pernambuco, João Recena. As
despesas com pessoal e encargo
voltaram a crescer em 97 e
chegaram a representar 57,7% das
despesas totais do Estado. Em 96,
essa participação foi de 56,5%.
O Estado gastou R$ 1,552 bilhão
e R$ 1,631 bilhão,
respectivamente, em 96 e 97, para
pagar o funcionalismo.
O funcionalismo
continua sendo a maior despesa do
Estado. Depois dele, vem a
transferência aos municípios,
que corresponde a 15,6% das
despesas estaduais. Os juros e
encargos das dívidas tiveram um
menor peso nos gastos do Estado
em 97, representando 3,1% das
despesas totais. Em 96, o mesmo
item pesou 3,9 nos gastos do
Estado.
"O custeio
administrativo foi um dos itens
que mais cresceram nos gastos do
Estado, passando de uma
participação de 12,8% para
16,2% do total. "Não sei o
que ocorreu, mas outras despesas
são os gastos que o governo tem
com o pagamento de aluguel de
imóveis, telefone, xerox, contas
de energia, água etc",
falou Recena.
Outro fato
preocupante é que apenas 2,0%
das despesas totais do Estado
foram destinadas ao investimento.
Pelo menos dois secretários
afirmaram que "esse montante
é reduzido". São eles:
Recena e Eduardo Campos, que saiu
da secretaria da Fazenda esta
semana para se candidatar a
deputado federal. Os
investimentos significaram 1,6%
das despesas totais do Estado em
96, de acordo com os números
disponíveis no último Boletim
Conjuntural do Condepe -
Instituto de Planejamento de
Pernambuco -, lançado na última
quinta-feira.
"Os
recursos podem ter sido poucos,
mas foram usados em
contrapartidas que geraram
investimentos maiores",
disse Recena. Ele citou como
exemplo um investimento feito
pelo Estado nos últimos três
anos da ordem de R$ 49 milhões,
que teria gerado um investimento
total de R$ 213 milhões.
Segundo Recena,
estes recursos foram alavancados
em programas que tiveram um
financiamento do BID (Banco
Interamericando de
Desenvolvimento), Programa de
Apoio ao Pequeno Produtor (PAPP),
entre outros. Os quatro programas
citados por João Recena foram os
seguintes: BID/Estradas,
PAPP/PCPR, Projeto Nordeste-
Saúde e Educação.