- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de abril de 1998

ELETRICIDADE
Co-geração de energia amplia negócios da Koblitz em 80%

por ANGELA FERNANDA BELFORT

A Koblitz apresentou um crescimento de 80% no volume de negócios fechados em 97. "Aumentou muito o número de empresas interessadas em instalar programas de co-geração de energia", falou o engenheiro Luiz Otávio Koblitz, diretor superintendente da empresa especializada no fornecimento de sistemas de energia. Como conseqüência disso, a companhia apresentou um faturamento de R$ 20 milhões em 97, com um aumento de 35% em cima do ano anterior.

"A redução dos custos e a continuidade do funcionamento estão fazendo com que os empresários se interessem por um programa de co-geração de energia", explicou o engenheiro. As empresas que têm uma co-geração de energia conseguem reduzir, em média, 40% dos custos que tinham com a conta de energia e não têm problemas com blecautes, que já estão acontecendo no Sudeste do País. Segundo Koblitz, "a redução de custos pode variar de 30% a 50%, dependendo do tipo de indústria e do combustível utilizado".

O processo de co-geração de energia pode representar maiores reduções de custo para as empresas que têm o combustível dentro do seu processo produtivo. É o caso do sistema de co-geração feito pela Koblitz para a fábrica da Tramontina, em Belém do Pará. O sistema implantado na fábrica tem como combustível um material que antes era incinerado: as sobras das madeiras que eram usadas na produção de tábuas de carne e talheres.

Com isso, 80% de toda a energia consumida pela Tramontina virá do processo de co-geração, que irá proporcionar uma economia de R$ 30 mil ao mês e começou a funcionar no último dia 30. Além dos resíduos de madeira, o sistema de co-geração de energia pode utilizar os seguintes combustíveis: gás natural, bagaço da cana-de-açúcar, óleo combustível, carvão, casca de arroz e resíduos de madeira.

A co-geração de energia elétrica instala uma termoelétrica, em que os rejeitos térmicos, - como o vapor - , são aproveitados dentro do processo industrial. "Isso dá uma alta eficiência ao sistema", falou Koblitz, que defende a existência de várias termoelétricas pequenas. Segundo ele, as termoelétricas que atuam somente para produzir energia elétrica só podem converter até 48% do combustível em energia. O restante é perdido.

"O abastecimento de energia tornou-se uma preocupação para empresas de vários segmentos", falou Koblitz. Os custos de uma planta de co-geração podem ficar em torno de US$ 1.200 por quilowatt implantado, segundo informações da empresa Energy Works, empresa americana que é formada por uma joint-venture entre a PacifiCorp e Bechtel, duas das maiores companhias que atuam na área de energia elétrica.

A Energy Works já está fazendo a terceirização dos sistemas de co-geração para empresas como a Kaiser, no Ceará, Tramontina, em Belém do Pará, que já foi concluído. A empresa americana faz a construção, supervisão e manutenção do sistema e o cliente paga depois pela energia que recebe. "Com isso, os nossos clientes podem se concentrar nas suas atividades fins", falou Mário Zanelli, diretor de desenvolvimento de negócios da Energy Works, que utiliza a tecnologia da Koblitz nos seus sistemas de co-geração de energia. Zanelli argumentou também que as empresas que optam pela terceirização apresentam uma redução de custos, em média, de 15% sobre a conta da energia.


     

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