ELETRICIDADE
Co-geração
de energia amplia negócios da
Koblitz em 80%por ANGELA FERNANDA
BELFORT
A Koblitz
apresentou um crescimento de 80%
no volume de negócios fechados
em 97. "Aumentou muito o
número de empresas interessadas
em instalar programas de
co-geração de energia",
falou o engenheiro Luiz Otávio
Koblitz, diretor superintendente
da empresa especializada no
fornecimento de sistemas de
energia. Como conseqüência
disso, a companhia apresentou um
faturamento de R$ 20 milhões em
97, com um aumento de 35% em cima
do ano anterior.
"A
redução dos custos e a
continuidade do funcionamento
estão fazendo com que os
empresários se interessem por um
programa de co-geração de
energia", explicou o
engenheiro. As empresas que têm
uma co-geração de energia
conseguem reduzir, em média, 40%
dos custos que tinham com a conta
de energia e não têm problemas
com blecautes, que já estão
acontecendo no Sudeste do País.
Segundo Koblitz, "a
redução de custos pode variar
de 30% a 50%, dependendo do tipo
de indústria e do combustível
utilizado".
O processo de
co-geração de energia pode
representar maiores reduções de
custo para as empresas que têm o
combustível dentro do seu
processo produtivo. É o caso do
sistema de co-geração feito
pela Koblitz para a fábrica da
Tramontina, em Belém do Pará. O
sistema implantado na fábrica
tem como combustível um material
que antes era incinerado: as
sobras das madeiras que eram
usadas na produção de tábuas
de carne e talheres.
Com isso, 80%
de toda a energia consumida pela
Tramontina virá do processo de
co-geração, que irá
proporcionar uma economia de R$
30 mil ao mês e começou a
funcionar no último dia 30.
Além dos resíduos de madeira, o
sistema de co-geração de
energia pode utilizar os
seguintes combustíveis: gás
natural, bagaço da
cana-de-açúcar, óleo
combustível, carvão, casca de
arroz e resíduos de madeira.
A co-geração
de energia elétrica instala uma
termoelétrica, em que os
rejeitos térmicos, - como o
vapor - , são aproveitados
dentro do processo industrial.
"Isso dá uma alta
eficiência ao sistema",
falou Koblitz, que defende a
existência de várias
termoelétricas pequenas. Segundo
ele, as termoelétricas que atuam
somente para produzir energia
elétrica só podem converter
até 48% do combustível em
energia. O restante é perdido.
"O
abastecimento de energia
tornou-se uma preocupação para
empresas de vários
segmentos", falou Koblitz.
Os custos de uma planta de
co-geração podem ficar em torno
de US$ 1.200 por quilowatt
implantado, segundo informações
da empresa Energy Works, empresa
americana que é formada por uma
joint-venture entre a PacifiCorp
e Bechtel, duas das maiores
companhias que atuam na área de
energia elétrica.
A Energy Works
já está fazendo a
terceirização dos sistemas de
co-geração para empresas como a
Kaiser, no Ceará, Tramontina, em
Belém do Pará, que já foi
concluído. A empresa americana
faz a construção, supervisão e
manutenção do sistema e o
cliente paga depois pela energia
que recebe. "Com isso, os
nossos clientes podem se
concentrar nas suas atividades
fins", falou Mário Zanelli,
diretor de desenvolvimento de
negócios da Energy Works, que
utiliza a tecnologia da Koblitz
nos seus sistemas de co-geração
de energia. Zanelli argumentou
também que as empresas que optam
pela terceirização apresentam
uma redução de custos, em
média, de 15% sobre a conta da
energia.