- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de abril de 1998

ELETRICIDADE II
Bagaço e palha da cana são fontes alternativas

Até 30% da energia do Nordeste poderia ser gerada dentro das usinas da região com o bagaço e a palha da cana-de-açúcar, sendo usados num processo de co-geração de energia. A afirmação é do engenheiro Luiz Otávio Koblitz, diretor superintendente da Koblitz, empresa especializada no fornecimento de sistemas de energia. "Para que isso fosse atingido precisaria mudar grande parte do equipamento das usinas, visando uma maior eficiência desse sistema", explicou Koblitz.

O empresário argumentou que há 20 anos, quando houve uma renovação do parque industrial das usinas pernambucanas foram instalados equipamentos de baixa eficiência para a geração de energia já que, na época, a finalidade era não haver falta do bagaço nem excesso. "Não havia um pensamento de se aproveitar esse pontencial", lembrou Koblitz.

"Grande parte da energia da cana-de-açúcar é jogada fora em todo o Brasil", disse o engenheiro. "Fazer termoelétrica a gás sem aproveitar a energia das usinas e destilarias é um contrasenso", argumentou Koblitz, acrescentando que essas unidades estão na Zona da Mata, onde há um maior consumo de energia elétrica.

O Nordeste só tem o seu abastecimento de energia elétrica confirmado até 2002. Depois disso, terão que ser feitas termoelétricas para atender a demanda. Só as 32 usinas e destilarias instaladas em Pernambuco poderiam oferecer 354 MW por hora, representando cerca de 50% da energia elétrica que o Estado consome em seis meses, segundo Marcelo Guerra, secretário executivo do Sindaçúcar. A energia só pode ser gerada na época em que as usinas estão moendo, de setembro a março.

A venda da energia faria com que as usinas tivessem um ganho de receita da ordem de 15% utilizando a mesma quantidade de matéria-prima. O Sindaçúcar já está fazendo contatos com a Celpe e Chesf na tentativa de comercializar esse excedente de energia. "Não podemos vender por US$ 22,00 o que compramos por US$ 70", falou Guerra, se referindo aos preços que foram oferecidos pela Celpe para comprar a energia.

O Sindaçúcar estabeleceu um preço mínimo de US$ 45,00 para comercializar a energia. "Se conseguirmos comercializar esse excedente, estaremos otimizando a produção, eliminando o desperdício e oferecendo a sociedade uma energia renovável", falou Guerra.


     

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