ELETRICIDADE II
Bagaço
e palha da cana são fontes
alternativasAté 30% da energia do
Nordeste poderia ser gerada
dentro das usinas da região com
o bagaço e a palha da
cana-de-açúcar, sendo usados
num processo de co-geração de
energia. A afirmação é do
engenheiro Luiz Otávio Koblitz,
diretor superintendente da
Koblitz, empresa especializada no
fornecimento de sistemas de
energia. "Para que isso
fosse atingido precisaria mudar
grande parte do equipamento das
usinas, visando uma maior
eficiência desse sistema",
explicou Koblitz.
O empresário
argumentou que há 20 anos,
quando houve uma renovação do
parque industrial das usinas
pernambucanas foram instalados
equipamentos de baixa eficiência
para a geração de energia já
que, na época, a finalidade era
não haver falta do bagaço nem
excesso. "Não havia um
pensamento de se aproveitar esse
pontencial", lembrou
Koblitz.
"Grande
parte da energia da
cana-de-açúcar é jogada fora
em todo o Brasil", disse o
engenheiro. "Fazer
termoelétrica a gás sem
aproveitar a energia das usinas e
destilarias é um
contrasenso", argumentou
Koblitz, acrescentando que essas
unidades estão na Zona da Mata,
onde há um maior consumo de
energia elétrica.
O Nordeste só
tem o seu abastecimento de
energia elétrica confirmado até
2002. Depois disso, terão que
ser feitas termoelétricas para
atender a demanda. Só as 32
usinas e destilarias instaladas
em Pernambuco poderiam oferecer
354 MW por hora, representando
cerca de 50% da energia elétrica
que o Estado consome em seis
meses, segundo Marcelo Guerra,
secretário executivo do
Sindaçúcar. A energia só pode
ser gerada na época em que as
usinas estão moendo, de setembro
a março.
A venda da
energia faria com que as usinas
tivessem um ganho de receita da
ordem de 15% utilizando a mesma
quantidade de matéria-prima. O
Sindaçúcar já está fazendo
contatos com a Celpe e Chesf na
tentativa de comercializar esse
excedente de energia. "Não
podemos vender por US$ 22,00 o
que compramos por US$ 70",
falou Guerra, se referindo aos
preços que foram oferecidos pela
Celpe para comprar a energia.
O Sindaçúcar
estabeleceu um preço mínimo de
US$ 45,00 para comercializar a
energia. "Se conseguirmos
comercializar esse excedente,
estaremos otimizando a
produção, eliminando o
desperdício e oferecendo a
sociedade uma energia
renovável", falou Guerra.