VALOR
Alta
da libra se torna pesadelo para a
indústriapor MARIA LUIZA
BORGES
Correspondente
LONDRES
- A libra esterlina
alcançou durante a semana
passada suas mais altas
cotações nos últimos dez anos,
chegando a valer 3.25 marcos
alemães e 1,78 dólares
norte-americanos. O
fortalecimento da libra, enquanto
faz a festa para o setor de
serviços e para o turista
britânico interessado em viajar
para o exterior, está se
convertendo em um verdadeiro
pesadelo para a indústria,
sobretudo as que dependem
fundamentalmente de
exportações.
Industriais
acusam o chanceler Gordon Brown
de estar decretando a recessão
do setor, por não cortar as
taxas de juros. No entanto, o
chanceler se defende dizendo que
a regulamentação monetária
está a cargo do Comitê de
Políticas Monetárias (MPC) do
Banco da Inglaterra. O principal
dirigente do Banco, Eddie George,
disse na semana passada que
atribuía a alta cotação não
à política de juros, mas à
credibilidade da libra, sobretudo
frente às incertezas do euro, a
nova moeda européia que deve
entrar em circulação no
próximo ano em toda a Europa
continental (a Grã-Bretanha
optou por ficar de fora da
unificação monetária até pelo
menos 2003).
O MPC estará
reunido quarta e quinta-feira
próximas, discutindo os rumos
das suas políticas. Na pauta,
está a tentativa de conciliar
interesses bastante divergentes
que, na prática, são apenas
mais uma faceta da velha
rivalidade Norte-Sul dentro da
Inglaterra. O lado norte, onde
está a maiora das indústrias,
pressiona para uma queda nos
juros, enquanto no sul o setor de
serviços quer manter a
situação exatamente como está.
O grande
problema é que uma das metas do
governo do primeiro ministro Tony
Blair é exatamente reduzir o
desnível entre os dois setores.
Embora preocupado com uma
possível recessão nas
manufaturas, Eddie George diz
temer inflação com a redução
dos juros para conter a
ascenção da libra. Se as
indústrias reclamam, corretores
de imóveis e agentes de viagem
têm todos os motivos para
comemorar a alta. Os preços dos
imóveis estão em média 12,3%
mais caros do que há um ano,
segundo informações do Conselho
de Hipotecas.
Na área de
turismo, a cadeia de agências
Thomas Cook e a operadora de
cartões de Crédito American
Express informaram que os
turistas britânicos atualmente
estão gastando 12% a menos do
que há um ano para passar um fim
de semana em Paris ou Roma. Se a
opção for Grécia, a economia
será de 26% com a libra nos
níveis atuais. Por outro lado, a
contra-partida pode não ser tão
boa. Como o turista estrangeiro
vai se comportar em Londres
diante de uma moeda tão
valorizada?