- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de abril de 1998

VALOR
Alta da libra se torna pesadelo para a indústria

por MARIA LUIZA BORGES
Correspondente

LONDRES - A libra esterlina alcançou durante a semana passada suas mais altas cotações nos últimos dez anos, chegando a valer 3.25 marcos alemães e 1,78 dólares norte-americanos. O fortalecimento da libra, enquanto faz a festa para o setor de serviços e para o turista britânico interessado em viajar para o exterior, está se convertendo em um verdadeiro pesadelo para a indústria, sobretudo as que dependem fundamentalmente de exportações.

Industriais acusam o chanceler Gordon Brown de estar decretando a recessão do setor, por não cortar as taxas de juros. No entanto, o chanceler se defende dizendo que a regulamentação monetária está a cargo do Comitê de Políticas Monetárias (MPC) do Banco da Inglaterra. O principal dirigente do Banco, Eddie George, disse na semana passada que atribuía a alta cotação não à política de juros, mas à credibilidade da libra, sobretudo frente às incertezas do euro, a nova moeda européia que deve entrar em circulação no próximo ano em toda a Europa continental (a Grã-Bretanha optou por ficar de fora da unificação monetária até pelo menos 2003).

O MPC estará reunido quarta e quinta-feira próximas, discutindo os rumos das suas políticas. Na pauta, está a tentativa de conciliar interesses bastante divergentes que, na prática, são apenas mais uma faceta da velha rivalidade Norte-Sul dentro da Inglaterra. O lado norte, onde está a maiora das indústrias, pressiona para uma queda nos juros, enquanto no sul o setor de serviços quer manter a situação exatamente como está.

O grande problema é que uma das metas do governo do primeiro ministro Tony Blair é exatamente reduzir o desnível entre os dois setores. Embora preocupado com uma possível recessão nas manufaturas, Eddie George diz temer inflação com a redução dos juros para conter a ascenção da libra. Se as indústrias reclamam, corretores de imóveis e agentes de viagem têm todos os motivos para comemorar a alta. Os preços dos imóveis estão em média 12,3% mais caros do que há um ano, segundo informações do Conselho de Hipotecas.

Na área de turismo, a cadeia de agências Thomas Cook e a operadora de cartões de Crédito American Express informaram que os turistas britânicos atualmente estão gastando 12% a menos do que há um ano para passar um fim de semana em Paris ou Roma. Se a opção for Grécia, a economia será de 26% com a libra nos níveis atuais. Por outro lado, a contra-partida pode não ser tão boa. Como o turista estrangeiro vai se comportar em Londres diante de uma moeda tão valorizada?


     

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