ANIVERÁRIO III
Nasce
em 1919 um jornal com vocação
de líderDepartamento de
Pesquisa
O Jornal do
Commercio, fundado por João
Pessoa de Queiroz, surgiu numa
época em que o Recife era
considerada a cidade mais
importante do Nordeste. O
primeiro exemplar circulou no dia
3 de abril de 1919, com 12
páginas, composto em linotipo e
trazendo uma única foto na
primeira página: Epitácio
Pessoa, candidato a presidente da
República.
A partir do
segundo número, o JC já
demonstrava que iria possuir o
arrojo que até hoje o
caracteriza. Ampliou o
noticiário, divulgando também
informações da Paraíba e do
Rio Grande do Norte. Pouco tempo
depois, anunciava a aquisição
de moderna rotativa. E mostrou
que seria um jornal aberto às
diversas tendências de opinião,
como bem demonstra o acatamento
em suas páginas de um tema
polêmico como foi a chamada
questão social e católica,
defendida pelo professor Joaquim
Pimenta e rebatida por Barreto
Campello, no Jornal Pequeno.
Até o final
dos anos 20, sob o lema de
"órgão independente e
noticioso", o Jornal
continuou tendo uma presença
forte na comunidade pernambucana.
E só a partir daí sua história
começou a viver os percalços
comuns de um período em que as
paixões políticas falavam mais
alto do que a razão. Com efeito,
a Revolução de 1930 não
perdoou um jornal que apoiava
abertamente a candidatura de
Epitácio Pessoa e defendia as
chamadas "classes
produtoras" com militância
político-partidária. Essa
opção do jornal fez com que a
turba mais radical da chamada
Aliança Liberal invadisse,
empastelasse e destruísse todos
os seus equipamentos, levando o
seu futuro proprietário, F.
Pessoa de Queiroz, a deixar o
país e exilar-se na França,
após a vitória dos seguidores
de Getúlio Vargas. Nada restou
da violência: máquinas e
equipamentos foram quebrados,
arquivos destruídos, papéis
rasgados, máquinas de escrever
atiradas pela janela e os
tambores da impressora
danificados com ácido.
Quatro anos
depois, Francisco Pessoa de
Queiroz, retornando de Paris,
adquiriu o título do JC com
ajuda de amigos portugueses, os
irmãos João e José. A própria
família Pessoa de Queiroz chegou
a duvidar da capacidade
empresarial de Francisco e
também não acreditava muito que
um jornal ressurgido das cinzas
pudesse ter futuro enquanto
empresa.
E assim,
enfrentando desafios, o novo JC
foi aos poucos se erguendo.
Reestruturou-se uma nova
redação, ao mesmo tempo em que
eram feitos investimentos na
área industrial. Em 30 de
setembro de 1934, o jornal
voltava a circular. Com seu
espírito pioneiro, F. Pessoa de
Queiroz continuou modernizando o
jornal, acompanhando de perto o
que acontecia na imprensa do
mundo. Cobriu o desenrolar da
Segunda Grande Guerra com amplo e
farto noticiário das agências
internacionais - e fez uma
edição memorável anunciando a
vitória dos aliados.
Em 1958, O JC
promoveu mais uma mudança
gráfica que foi considerada
revolucionária para a época. Ao
mesmo tempo, passava a ser rodado
numa impressora M.A.M. importada
da Alemanha, considerada uma das
melhores do mundo e a primeira do
Nordeste a permitir a impressão
de fotos coloridas. O jornal
circulava com 48 páginas e
detinha a liderança estadual e
regional, como o de maior
circulação no Nordeste.
PIONEIRISMO -
Nos anos 60, o JC mais uma vez
antecipou-se no seu pioneirismo,
seguindo a moderna escola do
jornalismo americano, - lead,
sublead, claros na paginação,
fotos abertas, etc - cujo padrão
nacional era o Jornal do Brasil,
que sob o comando de Alberto
Dinnes viveu sua fase áurea. O
JC passou a ser o jornal mais
moderno do Norte\Nordeste,
circulando com duas edições,
uma local e outra regional.
Outra criação
de F. Pessoa de Queiroz, que era
como ele gostava de ser chamado,
foi o vespertino Diário da
Noite, que começou a circular em
1946. O DN era um jornal rebelde,
irreverente, brincalhão e de
grande apelo de venda nas camadas
mais populares.
Nos anos 70,
por injunções várias, não
apenas do JC, mas todo o Sistema
de Comunicação criado por F.
Pessoa de Queiroz, compreendendo
na época cinco emissoras de
rádio e uma televisão, começou
a viver um processo de crise que
quase representa o seu
desaparecimento. A empresa sofreu
duas intervenções judiciais,
foi negociada duas vezes a
proprietários diferentes sem que
conseguisse reconquistar a
liderança.
Em início de
1987, o processo de lenta agonia
levou os funcionários da empresa
a entrarem em greve geral,
tirando o jornal de circulação
por mais de 30 dias. Foi neste
clima que um grupo de
empresários, entre os quais o
atual presidente do Sistema,
João Carlos Paes Mendonça,
também presidente do Grupo
Bompreço, pensou em adquirir o
controle da empresa, controle
esse que se concentrou na mão de
um único dono, o próprio João
Carlos. O jornal entrava então
em uma nova e decisiva fase. A
empresa foi aos poucos sendo
saneada, os investimentos
priorizaram a área industrial e
a montagem de uma nova redação,
com a contratação de
profissionais experientes e novos
talentos recém-saídos das
universidades. Aos poucos, o
jornal readquiriu sua
credibilidade, primeiro passo
para que reconquistasse a
liderança de circulação que
hoje ocupa, e que o coloca entre
os 16 maiores jornais
brasileiros.