- - - -- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 03 de abril de 1998

ANIVERÁRIO III
Nasce em 1919 um jornal com vocação de líder

Departamento de Pesquisa

O Jornal do Commercio, fundado por João Pessoa de Queiroz, surgiu numa época em que o Recife era considerada a cidade mais importante do Nordeste. O primeiro exemplar circulou no dia 3 de abril de 1919, com 12 páginas, composto em linotipo e trazendo uma única foto na primeira página: Epitácio Pessoa, candidato a presidente da República.

A partir do segundo número, o JC já demonstrava que iria possuir o arrojo que até hoje o caracteriza. Ampliou o noticiário, divulgando também informações da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Pouco tempo depois, anunciava a aquisição de moderna rotativa. E mostrou que seria um jornal aberto às diversas tendências de opinião, como bem demonstra o acatamento em suas páginas de um tema polêmico como foi a chamada questão social e católica, defendida pelo professor Joaquim Pimenta e rebatida por Barreto Campello, no Jornal Pequeno.

Até o final dos anos 20, sob o lema de "órgão independente e noticioso", o Jornal continuou tendo uma presença forte na comunidade pernambucana. E só a partir daí sua história começou a viver os percalços comuns de um período em que as paixões políticas falavam mais alto do que a razão. Com efeito, a Revolução de 1930 não perdoou um jornal que apoiava abertamente a candidatura de Epitácio Pessoa e defendia as chamadas "classes produtoras" com militância político-partidária. Essa opção do jornal fez com que a turba mais radical da chamada Aliança Liberal invadisse, empastelasse e destruísse todos os seus equipamentos, levando o seu futuro proprietário, F. Pessoa de Queiroz, a deixar o país e exilar-se na França, após a vitória dos seguidores de Getúlio Vargas. Nada restou da violência: máquinas e equipamentos foram quebrados, arquivos destruídos, papéis rasgados, máquinas de escrever atiradas pela janela e os tambores da impressora danificados com ácido.

Quatro anos depois, Francisco Pessoa de Queiroz, retornando de Paris, adquiriu o título do JC com ajuda de amigos portugueses, os irmãos João e José. A própria família Pessoa de Queiroz chegou a duvidar da capacidade empresarial de Francisco e também não acreditava muito que um jornal ressurgido das cinzas pudesse ter futuro enquanto empresa.

E assim, enfrentando desafios, o novo JC foi aos poucos se erguendo. Reestruturou-se uma nova redação, ao mesmo tempo em que eram feitos investimentos na área industrial. Em 30 de setembro de 1934, o jornal voltava a circular. Com seu espírito pioneiro, F. Pessoa de Queiroz continuou modernizando o jornal, acompanhando de perto o que acontecia na imprensa do mundo. Cobriu o desenrolar da Segunda Grande Guerra com amplo e farto noticiário das agências internacionais - e fez uma edição memorável anunciando a vitória dos aliados.

Em 1958, O JC promoveu mais uma mudança gráfica que foi considerada revolucionária para a época. Ao mesmo tempo, passava a ser rodado numa impressora M.A.M. importada da Alemanha, considerada uma das melhores do mundo e a primeira do Nordeste a permitir a impressão de fotos coloridas. O jornal circulava com 48 páginas e detinha a liderança estadual e regional, como o de maior circulação no Nordeste.

PIONEIRISMO - Nos anos 60, o JC mais uma vez antecipou-se no seu pioneirismo, seguindo a moderna escola do jornalismo americano, - lead, sublead, claros na paginação, fotos abertas, etc - cujo padrão nacional era o Jornal do Brasil, que sob o comando de Alberto Dinnes viveu sua fase áurea. O JC passou a ser o jornal mais moderno do Norte\Nordeste, circulando com duas edições, uma local e outra regional.

Outra criação de F. Pessoa de Queiroz, que era como ele gostava de ser chamado, foi o vespertino Diário da Noite, que começou a circular em 1946. O DN era um jornal rebelde, irreverente, brincalhão e de grande apelo de venda nas camadas mais populares.

Nos anos 70, por injunções várias, não apenas do JC, mas todo o Sistema de Comunicação criado por F. Pessoa de Queiroz, compreendendo na época cinco emissoras de rádio e uma televisão, começou a viver um processo de crise que quase representa o seu desaparecimento. A empresa sofreu duas intervenções judiciais, foi negociada duas vezes a proprietários diferentes sem que conseguisse reconquistar a liderança.

Em início de 1987, o processo de lenta agonia levou os funcionários da empresa a entrarem em greve geral, tirando o jornal de circulação por mais de 30 dias. Foi neste clima que um grupo de empresários, entre os quais o atual presidente do Sistema, João Carlos Paes Mendonça, também presidente do Grupo Bompreço, pensou em adquirir o controle da empresa, controle esse que se concentrou na mão de um único dono, o próprio João Carlos. O jornal entrava então em uma nova e decisiva fase. A empresa foi aos poucos sendo saneada, os investimentos priorizaram a área industrial e a montagem de uma nova redação, com a contratação de profissionais experientes e novos talentos recém-saídos das universidades. Aos poucos, o jornal readquiriu sua credibilidade, primeiro passo para que reconquistasse a liderança de circulação que hoje ocupa, e que o coloca entre os 16 maiores jornais brasileiros.


     

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