SAÚDE
II
Nas
sessões, paciente desenvolve
lado social, psicológico e
físicoNão são só os
problemas físicos que a
musicoterapia ajuda a minorar.
Autistas e psicóticos também se
beneficiam dela, como atesta o
psiquiatra Carlos Augusto de
Araújo Jorge, diretor da
Fundação Municipal Lar Escola
Francisco de Paula (Funlar), da
Secretaria Municipal
Desenvolvimento Social do Rio de
Janeiro, onde há atualmente 115
alunos de musicoterapia. São
crianças e adolescentes com
diversas doenças, entre elas a
síndrome de Down, o autismo e a
paralisia cerebral, que provocam
atraso de desenvolvimento motor e
de linguagem.
Araújo Jorge
relata o caso de um cliente de 13
anos, psicótico e agressivo, que
só aceitou sair do carro do pai
e entrar no consultório médico
depois de uma abordagem pouco
ortodoxa da musicoterapeuta.
"A
profissional passou meses indo
até o carro, levando consigo um
instrumento de percussão,
atabaque ou tamborim. Quando o
garoto conseguiu enfim tocar o
instrumento, estabelecendo uma
relação com ela, pôde sair
para o consultório. A música
como instrumento terapêutico
não é a mesma coisa que a
música habitual. Usa-se a
música para estabelecer uma
relação de confiança com o
paciente, abrindo uma canal de
comunicação para, a partir
daí, estabelecer relações mais
saudáveis".
O trabalho da
terapia se dá através de
atividades cuidadosamente
estruturadas, com objetivos que
não incluem o desenvolvimento
estético. Segundo a
musicoterapeuta Mônica Isidoro
da Silva, da Funlar, o canto, os
instrumentos ouvidos e tocados, a
composição e a dança ao som da
música não pretendem
desenvolver o talento musical. O
objetivo é fazer com que o
desenvolvimento musical melhore o
funcionamento social,
psicológico e fisico.
"O som é
a primeira relação com o mundo,
desde o ventre materno. Abre
canais de comunicação que
facilitam o tratamento. Além de
atingir os movimentos mais
primitivos, a música atua como
elemento ordenador, que organiza
a pessoa internamente",
afirma Araújo Jorge.
Paula Carvalho,
presidente da Associação de
Musicoterapia do Rio de Janeiro,
que congrega 350 profissionais,
lembra que a musicoterapia é um
curso da área biomédica. Quem
faz vestibular para o curso, no
Conservatório Brasileiro de
Música, deve saber tocar um
instrumento. O coordenador do
curso, Marco Antônio Carvalho,
explicou que os alunos, além de
aprenderem violão, teclado e
flauta, têm aulas como
psicologia e anatomia.
A maioria dos
musicoterapeutas faz questão de
acentuar as origens técnicas do
seu trabalho, reconhecido pela
primeira vez nos EUA na década
de 50. Mas, há quem aposte no
lado místico da terapia, caso do
musicoterapeuta Thomaz Lima, que
usa o pseudônimo de Homem de Bem
e já gravou sete CDs com mantras
indianos. Agora, ele está
lançando Himalaia, um CD
instrumental, que dura uma hora e
promete levar ao relaxamento.
"O CD foi cuidadosamente
planejado para provocar um
resultado. Procuro abrir para as
pessoas caminhos não verbais que
levem-nas a expressar suas
características positivas".