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Anorexia
e bulimia atingem 1% da
população mundialAgência Globo
A anorexia
nervosa e a bulimia atingem um
número cada vez maior de jovens
e podem até levar à morte.
Segundo especialistas do
Ambulatório de Bulimia e
Transtornos Alimentares do
Instituto de Psiquiatria do
Hospital das Clínicas de São
Paulo (Ambulim), 0,5% a 1% da
população mundial sofre de
transtornos alimentares e alguns
estudos revelam que o percentual
de bulimia nervosa chega a 20% em
escolas secundárias americanas,
inglesas e alemãs. Para
esclarecer esses distúrbios,
médicos, psiquiatras e
psicanalistas do Ambulim
escreveram o livro Anorexia e
bulimia - O que são? Como
ajudar? (Artes Médi) para
orientar os pais a respeito do
assunto.
Geralmente a
anorexia nervosa ocorre em
adolescentes do sexo feminino
após a puberdade e se
caracteriza por uma acentuada
perda de peso auto-induzida. A
jovem tem medo intenso de
engordar e forte desejo de
emagrecer. Uma das
conseqüências deste transtorno
alimentar é a ausência de
menstruação por mais de três
meses.
"Nas
jovens que desenvolvem anorexia
nervosa, observamos que o
julgamento de sua imagem corporal
está alterado, fazendo-a
sentir-se com as formas maiores
do que são na realidade",
diz o médico Táki Athanássios
Cordás, chefe de enfermaria do
Instituto de Psiquiatria do
Hospital das Clínicas da USP e
coordenador geral do Ambulim.
Cerca de 50%
das jovens com anorexia nervosa
induzem o vômito após uma
refeição, com o objetivo de
tentar forçar o emagrecimento. A
recusa em manter o peso mínimo
para a idade e a altura é um dos
principais critérios para o
diagnóstico da anorexia.
Quando a perda
de peso se torna acentuada,
começam a aparecer problemas
como pele seca, intolerância ao
frio, queda de cabelo,
diminuição do ritmo do
coração (bradicardia), pressão
baixa e inchaço.
"Depressão, desânimo,
irritabilidade e até tentativas
de suicídio são os sintomas
emocionais mais freqüentes nos
casos mais graves",
acrescenta o médico.
Já a bulimia
tem maior incidência em mulheres
entre 20 e 30 anos. Como a
anorexia, a bulimia nervosa tem
causas complexas, relacionadas a
fatores fisiológicos,
psicológicos e socioculturais.
Os problemas físicos da bulimia
são conseqüência do vômitos
freqüentes e do abuso de
laxantes e diuréticos.
As queixas mais
comuns são dor de garganta ou de
estômago, fraqueza, desmaios,
diarréia, prisão de ventre,
alterações menstruais e
câimbras devido à deficiência
de nutrientes como cálcio e
potássio. Nos casos mais graves
podem ocorrer alterações
cardiovasculares.
Psicólogos e
psicanalistas do Ambulim explicam
que fazer dietas não é
suficiente para desenvolver um
transtorno alimentar. Nestes
casos há fatores mais
importantes, incluindo
predisposição genética e
psicológica, além de
influências sociais.
Especialistas do Hospital das
Clínicas revelam que o
tratamento deve ser baseado na
educação alimentar, uso de
medicamentos, terapia
cognitivo-comportamental,
psicoterapia individual e
orientação familiar.
PERFEIÇÃO
- No caso da anorexia
nervosa e da bulimia, mesmo
quando o peso e reestabelecido e
a jovem volta a se alimentar
normalmente, podem ocorrer
recaídas. Por isso recomenda-se
o acompanhamento psicológico
mesmo após o desaparecimento dos
sintomas. Muitas vezes as
famílias nas quais um de seus
membros sofre de anorexia nervosa
têm uma estrutura familiar com
características comuns.
Geralmente são
famílias preocupadas em se
ajustar demais ao modelo social,
no qual o ideal é pais e filhos
perfeitos, tendo como guia para a
realização desse desejo as
convenções sociais mais
rígidas. Esse perfeccionismo
exagerado dos pais leva
freqüentemente a um
hipercontrole dos filhos, o que
muitas vezes resulta na sua
infantilização. O tratamento
dos dois problemas é, a
príncipio, ambulatorial, mas às
vezes é preciso que haja
internação.