- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 01 de abril de 1998

SEGURANÇA

IBM contrata "hackers do bem"

IDG Now!

A IBM acaba de montar uma divisão de consultoria chamada Global Security Analysis Lab com alguns dos melhores hackers do mercado. Isso mesmo! São hackers "éticos" que testam o nível de segurança dos clientes e apontam falhas. Na última demonstração de como trabalham os seus funcionários, o Global Security Analysis Lab invadiu os sistemas de uma grande empresa de transportes americana, que confirmou o ataque em sua rede.

Os hackers "do bem" contratados pela IBM penetraram com sucesso no servidor de FTP da companhia transportadora e tiveram acesso aos números de telefone dos funcionários, números do seguro de saúde, salários e outras informações sigilosas. Eles conseguiram acessar três máquinas Unix ligadas ao sistema corporativo. O ataque foi executado a partir de Nova York, a sede da nova divisão IBM.

"A maior parte das pessoas acredita que os hackers façam ataques randomicamente", disse Charles Palmer, diretor da Global Security Analysis Lab. "Eles são muito organizados e trabalham a partir de informações dirigidas", acrescentou. Os novos funcionários da IBM começaram a trabalhar no domingo passado.

Segundo Palmer, o preço da consultoria para empresas deve ficar entre US$ 15 mil e US$ 45 mil, dependendo do tamanho e complexidade dos sistemas corporativos. As companhias interessadas devem assinar um termo que permite a entrada dos hackers da IBM em seus sistemas e as proíbe de processar os funcionários. Até agora, eles obtiveram 80% de sucesso na invasão de sistemas corporativos.

Essa taxa de sucesso atinge 90% quando o ataque é feito com ajuda física. Neste caso, os funcionários da Big Blue podem até entrar nas empresas, burlando os sistemas de segurança e roubar computadores literalmente.

Palmer diz que atualmente devem existir cerca de 100 mil hackers no mundo inteiro. Destes, apenas 0,01% são realmente profissionais e classificados como criminosos do ciberespaço. Outros 10% dos hackers poderiam estar envolvidos em espionagem industrial. Os 90% restantes, diz o executivo da IBM, são apenas amadores procurando diversão. Este parece ser o caso dos cinco garotos que atingiram os sistemas periféricos do Pentágono, na semana passada.




 

 

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