TENDÊNCIAS
Aumente
o faturamento mensal prestando
serviços virtuais por JAIRSON VITORINO
Quantas vezes
você já se frustrou passando
horas em frente a mecanismos de
busca que só trazem links
quebrados ou páginas sem nenhuma
relevância? Imagine que você
está louco atrás de letras de
seu cantor preferido, ou de uma
banda de rock nova que você
ouviu no rádio, você só sabe
que o nome da música contém a
palavra "mundo". E
agora, o que você faz?
Para resolver
esse tipo de problema começa a
surgir uma nova classe de
info-trabalhadores que garimpam a
Internet dia e noite tentando
arrumar o caos, tornando a teia
mais parecida com uma organizada
biblioteca, com direito a
índices por assunto, ordem
alfabética e tudo mais. Pode
descaracterizar um pouco a Rede,
afinal o caos é um dos charmes
da Internet, mas para quem não
tem tempo a perder é mais fácil
e mais rápido.
Por exemplo, se
vocês visitarem http://www.homeworkhcaven.com, encontrarão uma
página dedicada a resolver os
problemas das crianças e
adolescentes americanos às
voltas com trabalho de história,
biologia e outros assuntos. A
idéia deste site é organizar
uma imensa biblioteca de links e
ganhar dinheiro vendendo
anúncios para quem quiser se
beneficiar dos milhões de hits
que ela tem diariamente.
Os americanos
já criaram até nome para este
tipo de trabalho: Link Editing,
ou edição de links. O negócio
consiste em navegar na Internet e
ir catando e comentando links
interessantes pelo caminho. Por
exemplo, se você resolve montar
uma página sobre futebol
brasileiro, além de colocar todo
o conteúdo que você puder
arranjar, é preciso
obrigatoriamente reunir também
todos os outros sites que tratem
do mesmo assunto, mesmo que eles
sejam concorrentes. Na Internet,
o que você pode coseguir de
maior valor é a atenção das
pessoas, então vale até mesmo
expor a concorrência.
A edição do
links é uma boa oportunidade
para todo mundo que sonha em
trabalhar em casa, longe do
tráfego e do calor. Tem
empresário americano pagando R$
10 a hora para você manter links
para ele. Vez por outra eu acho
um anúncio deste em newsletters
que assino ou em páginas Web.
Recebi um e-mail há pouco tempo
de um colega americano propondo
entrar neste negócio, não achei
mau, e provavelmente faria se
tivesse algum tempo disponível.
O problema para
nós brasileiros ainda é a falta
de conhecimento da língua
inglesa, e mais ainda, a falta de
tradição que o Brasil tem como
prestador de serviços lá fora.
A coisa deve melhorar quando os
sites brasileiros começarem a
ter necessidade deste
profissional. Com R$ 10 a hora,
você tem um salário mensal de
R$ 1.600,00, nada mal para um
país que ainda considera R$ 100
como um salário mínimo decente.
Para quem tem inglês afiado, e
está com algum tempo
disponível, aconselho ficar de
olho nos anúncios na Web, e
mandar um e-mail assim que vir o
primeiro.
Apesar do tema
deste artigo ser esta história
de link editing, eu não poderia
deixar de frisar que isto é
apenas a ponta do Iceberg
(aproveitando o sucesso do
filme). O ponto fundamental (o
iceberg todo) é o seguinte: não
é tão difícil exportar nossos
serviços e nosso talento para
quem quer que seja, só
precisamos de um pouco de
paciência, alguma sorte, olhos,
corações e ouvidos abertos, e
muito trabalho duro. Seja
edição de links, programação
ou até design, o que vale são
os baytes, não de onde eles
vieram.
Jairson
Vitorino - jairson@mundi.com.br - é diretor da
Mundi Multimídia, empresa
associada à Unit