- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 01 de abril de 1998

TENDÊNCIAS

Aumente o faturamento mensal prestando serviços virtuais

por JAIRSON VITORINO

Quantas vezes você já se frustrou passando horas em frente a mecanismos de busca que só trazem links quebrados ou páginas sem nenhuma relevância? Imagine que você está louco atrás de letras de seu cantor preferido, ou de uma banda de rock nova que você ouviu no rádio, você só sabe que o nome da música contém a palavra "mundo". E agora, o que você faz?

Para resolver esse tipo de problema começa a surgir uma nova classe de info-trabalhadores que garimpam a Internet dia e noite tentando arrumar o caos, tornando a teia mais parecida com uma organizada biblioteca, com direito a índices por assunto, ordem alfabética e tudo mais. Pode descaracterizar um pouco a Rede, afinal o caos é um dos charmes da Internet, mas para quem não tem tempo a perder é mais fácil e mais rápido.

Por exemplo, se vocês visitarem http://www.homeworkhcaven.com, encontrarão uma página dedicada a resolver os problemas das crianças e adolescentes americanos às voltas com trabalho de história, biologia e outros assuntos. A idéia deste site é organizar uma imensa biblioteca de links e ganhar dinheiro vendendo anúncios para quem quiser se beneficiar dos milhões de hits que ela tem diariamente.

Os americanos já criaram até nome para este tipo de trabalho: Link Editing, ou edição de links. O negócio consiste em navegar na Internet e ir catando e comentando links interessantes pelo caminho. Por exemplo, se você resolve montar uma página sobre futebol brasileiro, além de colocar todo o conteúdo que você puder arranjar, é preciso obrigatoriamente reunir também todos os outros sites que tratem do mesmo assunto, mesmo que eles sejam concorrentes. Na Internet, o que você pode coseguir de maior valor é a atenção das pessoas, então vale até mesmo expor a concorrência.

A edição do links é uma boa oportunidade para todo mundo que sonha em trabalhar em casa, longe do tráfego e do calor. Tem empresário americano pagando R$ 10 a hora para você manter links para ele. Vez por outra eu acho um anúncio deste em newsletters que assino ou em páginas Web. Recebi um e-mail há pouco tempo de um colega americano propondo entrar neste negócio, não achei mau, e provavelmente faria se tivesse algum tempo disponível.

O problema para nós brasileiros ainda é a falta de conhecimento da língua inglesa, e mais ainda, a falta de tradição que o Brasil tem como prestador de serviços lá fora. A coisa deve melhorar quando os sites brasileiros começarem a ter necessidade deste profissional. Com R$ 10 a hora, você tem um salário mensal de R$ 1.600,00, nada mal para um país que ainda considera R$ 100 como um salário mínimo decente. Para quem tem inglês afiado, e está com algum tempo disponível, aconselho ficar de olho nos anúncios na Web, e mandar um e-mail assim que vir o primeiro.

Apesar do tema deste artigo ser esta história de link editing, eu não poderia deixar de frisar que isto é apenas a ponta do Iceberg (aproveitando o sucesso do filme). O ponto fundamental (o iceberg todo) é o seguinte: não é tão difícil exportar nossos serviços e nosso talento para quem quer que seja, só precisamos de um pouco de paciência, alguma sorte, olhos, corações e ouvidos abertos, e muito trabalho duro. Seja edição de links, programação ou até design, o que vale são os baytes, não de onde eles vieram.

Jairson Vitorino - jairson@mundi.com.br - é diretor da Mundi Multimídia, empresa associada à Unit




 

 

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