GOVERNO II
Alvo
de críticas, novo ministério
fica fora do Palácio do PlanaltoBRASÍLIA - O
ministro da Reforma
Institucional, Freitas Neto, não
ocupará o gabinete do extinto
Ministério da Coordenação
Política, que funcionava no
quarto-andar do Palácio do
Planalto. O novo ministério não
tem ainda lugar definido, mas
deverá ser instalado num dos
anexos do Planalto, onde já
funciona a vice-presidência da
República. A localização do
ministério está sendo
interpretada como um dos sinais
de que se trata de uma pasta
esvaziada.
O
vice-presidente da Câmara,
deputado Heráclito Fortes
(PFL-PI), eufórico com a
nomeação de Freitas Neto,
chegou a definir o gabinete que
era ocupado por Luiz Carlos
Santos como "a Vieira Souto
da Esplanada dos
Ministérios", na
suposição de que o novo
ministro fosse para lá. O
Ministério da Reforma
Institucional (Mirin), cuja
criação foi concebida pelo
vice-presidente, Marco Maciel,
não terá tarefas operacionais
e, por isso, os assessores do
presidente argumentam que não
há necessidade de que ele
funcione dentro do prédio
principal do Palácio.
Fora do
Planalto e com sua utilidade
questionada no Congresso, o Mirin
terá muitas dificuldades para se
impor. "O Fernando Henrique
entregou para o PFL um lote na
lua", ironizou o líder do
PMDB, deputado Geddel Vieira Lima
(BA). No próprio PFL, o líder
na Câmara, Inocêncio Oliveira
(PE), não gostou do arranjo
feito pela cúpula do partido
para garantir mais um cargo no
Governo. Para o PSDB a nova pasta
poderá criar problemas na medida
em que poderá sugerir propostas
na área tributária que venham a
ser conflitantes com o pensamento
do Ministério da Fazenda.
Os tucanos
também avaliam que há problemas
operacionais para viabilizar as
reformas tributária e política
através do MIRIN. O ministro da
Administração, Bresser Pereira,
que conduz a reforma
administrativa recebeu com
reservas a intenção declarada
do novo ministro de apresentar
propostas também para esta
área.«MDFL»L
"A
iniciativa do governo é
positiva, mas vai ser difícil
costurar uma proposta nas áreas
políticas e tributárias num ano
eleitoral, ainda mais quando se
sabe que estes temas serão
votados por um Congresso
renovado", comentou o
vice-líder do governo, deputado
Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
Além do
próprio ministro, o líder do
PDT, deputado Miro Teixeira (RJ),
é um dos poucos que dá crédito
ao Ministério da Reforma
Institucional. Autor de emenda
constitucional que prevê a
realização de uma revisão
constitucional em 1999 para
tratar das reformas tributária e
política, Miro acredita que
terá no novo ministério um
parceiro.
"Para que
o Brasil tenha um projeto
nacional de desenvolvimento o
caminho é o equilíbrio das
contas públicas. Está na hora
do governo parar com a política
de meia sola, que cria o Fundo de
Estabilização Fiscal, a
Contribuição sobre
Movimentação Financeira e a Lei
Kandir", disse Miro.
Durante cinco
semanas Miro lutou contra o corpo
mole dos líderes governistas
para aprovar sua emenda na
Comissão Especial. Agora, a
emenda, que prevê a realização
de um plebiscito, em outubro,
junto com a eleição
presidencial, para que a
população avalize a revisão,
está há duas semanas pronta
para ser votada no plenário.
Para garantir
sua aprovação, Miro está
apenas aguardando a posse de
Freitas Neto para procurá-lo.
``Para viabilizar a revisão a
emenda terá que ser aprovada na
Câmara no início de maio para
que o Senado a aprecie até
junho'', disse Miro. O pedetista
avalia que a tramitação de sua
emenda funcionará como um teste
para avaliar a força política
do novo ministro.