PROFISSÃO
Tradição
foi iniciada há cerca de 30 anospor LEILA NÚBIA
CUNHA
A
"exportação" de
garçons de Frei Miguelinho para
o Recife parece ter se iniciado
há pouco mais de 30 anos.
Ninguém sabe, ao certo, quando e
como tudo começou, mas foi nessa
época que chegou à capital
José Caboclo da Silva, então
com 17 anos, para trabalhar no
restaurante do irmão. O Cantina
Star, no bairro da Boa Vista, é
tido como um dos primeiros a
empregar gente da cidade. Daí em
diante, cada novo empregado
passava a indicar um
conterrâneo, vítima da falta de
alternativa de trabalho na terra
onde nasceu. Por outro lado, a
tendência alimenta-se pelo
desejo dos proprietários das
grandes capitais em contratar
gente "verde" no ramo,
de preferência, vinda do
interior.
Ainda
trabalhando no Cantina Star,
"Zé Caboclo" admite
ser impossível dizer quantos já
vieram de Frei Miguelinho para
trabalhar no Recife. Seja como
garçom, empregado da copa ou,
até mesmo, à frente do
negócio. "Quase todos os
restaurantes daqui têm gente de
lá. Eu mesmo chamei uns
15", afirma. Casado e com
três filhos, ele costuma ir à
terra natal visitar a mãe e
diz-se satisfeito com a
profissão.
Outros três
que também não têm do que
reclamar estão no Restaurante
Ilha de Kos, na Boa Vista, que
emprega 10 conterrâneos.
Edmilson Arruda, 35, por exemplo,
está no Recife desde 1977.
"Lá não tem opção de
trabalho e as pessoas vão vindo,
sempre por indicação de um
colega que chegou antes. Conheço
mais de trinta que vieram
assim", diz.
Há 13 anos no
mesmo restaurante, Cícero Moura,
33, também conhece uns 25
conterrâneos em restaurantes
recifenses. Um dos que indicou
para trabalhar com ele no Ilha de
Kos é José dos Santos, 37,
recém-chegado de São Paulo,
após se desencantar com o custo
de vida. "Passei 17 anos no
sul, no ramo de transporte de
máquinas, e hoje trabalho na
copa. Estou de olho em duas vagas
para chamar dois irmãos, que
estão desempregados em
Frei", conta.
Exemplos de
profissionais que começaram na
cozinha, passando de auxiliar a
garçom e hoje são donos de
restaurantes na capital também
não faltam. Um deles é Severino
Inácio de Lucena que, ao lado do
irmão, José Inácio,
administram os Ilha da Kosta I e
II, ambos em Boa Viagem, e, mais
duas lanchonetes, neste bairro e
no Recife Antigo. Eles dão
preferência ao pessoal que veio
de Frei, na hora que aparece
vaga. "Queremos pessoas sem
experiência, para aprender no
dia a dia".