PROFISSÃO III
Nas
segundas, a pedida é rever os
amigosO dia mais enfadonho da
semana para boa parte dos
trabalhadores brasileiros é
também o mais esperado para
alguns garçons no Recife. É na
segunda-feira que uns 20 deles
costumam alugar uma caminhonete
D-20 para visitar a terra natal,
Frei Miguelinho, em busca de uma
boa partida de futebol ou da roda
de amigos em uma mesa de bar. Em
grande parte dos restaurantes da
capital pernambucana, a segunda e
a terça-feira são dias de
folga. É quando os
"exportados" aproveitam
para rever os pais, irmãos e
amigos de infância.
"Eu ganho
dinheiro aqui no Recife para ir
gastar lá", confessa Jonas
Brás de Andrade, 22, que é
barman do Spettus e está no ramo
há dois anos. Ele viaja
semanalmente e conta que, toda
segunda, a aventura se repete: a
D-20 vai de restaurante em
restaurante, pegando os garçons
para levar à cidade.
"Quando a gente chega,
movimenta os barzinhos locais num
dia que, aqui, é morto",
revela, lembrando que até o dono
da caminhonete está ganhando
dinheiro com a história.
Cobrando R$ 10,00 por cada
garçom, ele já comprou o
segundo carro. Jonas lembra que o
hábito vem virando tradição e,
em Frei, já existe até um time
de futebol só de garçons.
Não tão
assíduo, o maitre do Spettus,
Valmir de Lucena, conta que, dos
seus 36 anos de idade, 12 foram
gastos entre mesas, cozinhas e
bandejas. Nos cinco
estabelecimentos pertencentes aos
proprietários do Spettus na
Região Metropolitana do Recife,
ele contabiliza mais de trinta
funcionários vindos de Frei
Miguelinho. "Indiquei mais
de vinte", confessa ele,
que, como tantos, começou a
carreira no Cantina Star. (L.N.C)