-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 05 de abril de 1998

SISTEMA CARCERÁRIO
Superlotação coloca em xeque segurança na cadeia de Petrolina

por EMANUEL ANDRADE
Da Sucursal

PETROLINA - Localizada nos fundos da 2º delegacia de Polícia Civil e rodeada por prédios residenciais, empresas e agências bancárias, a cadeia pública de prédios residenciais, empresas e agências bancárias, a cadeia pública de Petrolina é uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento. Esta sensação é assegurada pela superlotação do local onde os 140 presos estão distribuídos em doze celas. Para reverter o quadro, a construção de um presídio regional, que deveria ser recebido como solução, acabou se transformando em polêmica na cidade, principalmente entre os moradores do bairro Henrique Leite, onde a unidade penal começou a ser erguida.

Conhecida por Palácio das Mangueiras, a cadeia já foi palco de pesquenas rebeliões, fugas, espancamentos por parte da polícia e até assassinatos. Recentemente o detento Hélio Gonçalves, o Hélio de Lapinha, foi assassinado no interior de um das celas, cujo crime permance em mistério. Durante o Carnaval, dois detentos denunciaram uma sessão de espacamentos, segundo eles, patrocinada por um policial que fazia a guarda embriagado.

"Isso aqui é vida nem para animal. É um inferno ver o sol nascer quadrado ainda nessas condições", diz indignado um detento que não quis se identificar. Todos pensam da mesma maneira e reclamam constantemente das condições sub-humanas em que vivem. A cadeia foi construída para 40 presos, porém, contabiliza três vezes mais que sua capacidade.

As instalações físicas da cadeia da maior cidade do Sertão do Estado, não é diferente da tragédia em que se transformou o sistema penitenciário brasileiro. O direito ao banho de sol acontece nas quartas-feiras e, aos invés de respirarem um ar mais puro, os presos batem sua pelada tropeçando no esgotos a céu aberto que cruzam o pátio.

Mesmo contando os dias pagar a liberdade daqui a um mês, o agricultor Antôno Joaquim e Lima, 32, está terminando sua pena por tráfico de maconha, diz que foi preciso se tornar evangélico para suportar um ano e meio dentro do "Palácio". "Acho impossível alguém se recuperar aqui. Pelo contrário, deve sair muito mais delinqüente do que quando entrou", opina o irmão, como é chamado pelos detentos.

Há várias meses Antônio passou a pagar a pena em regime semi-aberto. Como sua família mora em Santa Maria da Boa Vista, ele não tem como viajar para retornar à noite. Sua rotina varia entre passar de cela em cela conversando com os companheiros e com os policiais que fazem a guarda. "Não vejo a hora de sair daqui e jamais quero voltar, o que vi já paguei pelos meus pecados", confessa.

Os policiais que fazem a guarda da cadeia também reclamam da situação. "Cada um sabe dos riscos que corre. Ver o nome na escala é aquela tristeza", diz o soldado José Laurindo Silva. Até mesmo a falta de materiais básicos de higiêne pessoal, como papel higiênico, é motivo de cobrança dos militares lotados na unidade ao promotor.


 

 

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