SISTEMA
CARCERÁRIO
Superlotação
coloca em xeque segurança na
cadeia de Petrolinapor EMANUEL ANDRADE
Da Sucursal
PETROLINA -
Localizada nos fundos da 2º
delegacia de Polícia Civil e
rodeada por prédios
residenciais, empresas e
agências bancárias, a cadeia
pública de prédios
residenciais, empresas e
agências bancárias, a cadeia
pública de Petrolina é uma
bomba relógio que pode explodir
a qualquer momento. Esta
sensação é assegurada pela
superlotação do local onde os
140 presos estão distribuídos
em doze celas. Para reverter o
quadro, a construção de um
presídio regional, que deveria
ser recebido como solução,
acabou se transformando em
polêmica na cidade,
principalmente entre os moradores
do bairro Henrique Leite, onde a
unidade penal começou a ser
erguida.
Conhecida por
Palácio das Mangueiras, a cadeia
já foi palco de pesquenas
rebeliões, fugas, espancamentos
por parte da polícia e até
assassinatos. Recentemente o
detento Hélio Gonçalves, o
Hélio de Lapinha, foi
assassinado no interior de um das
celas, cujo crime permance em
mistério. Durante o Carnaval,
dois detentos denunciaram uma
sessão de espacamentos, segundo
eles, patrocinada por um policial
que fazia a guarda embriagado.
"Isso aqui
é vida nem para animal. É um
inferno ver o sol nascer quadrado
ainda nessas condições",
diz indignado um detento que não
quis se identificar. Todos pensam
da mesma maneira e reclamam
constantemente das condições
sub-humanas em que vivem. A
cadeia foi construída para 40
presos, porém, contabiliza três
vezes mais que sua capacidade.
As
instalações físicas da cadeia
da maior cidade do Sertão do
Estado, não é diferente da
tragédia em que se transformou o
sistema penitenciário
brasileiro. O direito ao banho de
sol acontece nas quartas-feiras
e, aos invés de respirarem um ar
mais puro, os presos batem sua
pelada tropeçando no esgotos a
céu aberto que cruzam o pátio.
Mesmo contando
os dias pagar a liberdade daqui a
um mês, o agricultor Antôno
Joaquim e Lima, 32, está
terminando sua pena por tráfico
de maconha, diz que foi preciso
se tornar evangélico para
suportar um ano e meio dentro do
"Palácio". "Acho
impossível alguém se recuperar
aqui. Pelo contrário, deve sair
muito mais delinqüente do que
quando entrou", opina o
irmão, como é chamado pelos
detentos.
Há várias
meses Antônio passou a pagar a
pena em regime semi-aberto. Como
sua família mora em Santa Maria
da Boa Vista, ele não tem como
viajar para retornar à noite.
Sua rotina varia entre passar de
cela em cela conversando com os
companheiros e com os policiais
que fazem a guarda. "Não
vejo a hora de sair daqui e
jamais quero voltar, o que vi já
paguei pelos meus pecados",
confessa.
Os policiais
que fazem a guarda da cadeia
também reclamam da situação.
"Cada um sabe dos riscos que
corre. Ver o nome na escala é
aquela tristeza", diz o
soldado José Laurindo Silva.
Até mesmo a falta de materiais
básicos de higiêne pessoal,
como papel higiênico, é motivo
de cobrança dos militares
lotados na unidade ao promotor.