SISTEMA
CARCERÁRIO II
Detentas
dividem histórias e sonhos numa
mesma celaAté a semana passada, a
única cela feminina do
"Palácio das
Mangueiras" contava com a
presença de apenas duas
detentas. Maria Lúcia Santos
Costa, 40, e Lucilene Marques
Oliveira, 20, acusadas de
tráfico de entorpecentes dividem
uma mesma história num cubículo
de 4 metros quadrados. Ao serem
condenadas, elas pediram aos
advogados que não fossem
transferidas para a Colônia do
Bom Pastor, no Recife.
Contudo, foram
atendidas mesmo em troca da
convivência com cerca de 150
homens. "Somos obrigadas a
suportar tudo que acontece aqui.
Eles respeitam muito pouco, mas
assim mesmo escutamos muitas
barbaridades nas conversas",
diz Maria Lúcia com experiente,
certa de quando for solta
voltará a vender acarajé para
cuidar dos três filhos.
CRÍTICAS -
As duas detentas também não
poupam críticas à estrutura da
cadeia pública, que, segundo
elas, não oferece sequer
privacidade para as mulheres. Com
o rosto maquiado, mas com os
olhos cheios de lágrimas,
Luciene revela que está
arrependida pelo erro cometido.
Ela foi presa por transportar um
punhado de maconha dentro de um
cuscuz para seu ex-namorado que
estava preso.
Ele foi solto e
depois assassinado em São Paulo,
e ela enquadrada no artigo 12 do
Código Penal Brasileiro.
Praticamente abandonada pela
família, a jovem detentalava as
mágoas ouvindo música o dia
inteiro. "Quando sair daqui
quero estudar, trabalhar, casar e
reconciliar com os pais",
planeja.