GENTE FAMOSA IV
Uma
viagem armorial com Antônio
Carlos Nóbrega"Não sou uma
pessoa muito do lazer, prefiro o
ócio. É nele que surge a minha
criação", diz Antônio
Carlos Nóbrega, com o seu jeito
de moleque contido. Para o
caderno Turismo & Lazer o
artista revelou os lugares
prediletos na primeira terra que
conheceu o seu talento,
Pernambuco.
A viagem
armemorial do artista começa
pelo bairro de Casa Forte. Lá,
Nóbrega passou por experiências
que vão do lúdico ao
tragicômico. Ele foi um dos
personagens anônimos da cheia de
75. "Saí da minha casa com
água na cintura. Na mão
esquerda levei o violino e na
direita, o papagaio". Este
papagaio é só pra compor a
imagem? "Não! Foi
mesmo!", reafirma o criador
de Tonheta.
Aliás, o
personagem-chave de Nóbrega
nasceu a partir dessa cheia.
"Com o acontecido, muita
gente quis vender suas casas
perto do rio. E eu comprei uma
delas (que fica na rua Poço da
Panela, 108) só para ensaiar
espetáculos". Os dois
primeiros namoros do Brincante
também foram no bairro. Tempos
depois, na igreja Nossa Senhora
da Saúde, ele casou-se com a sua
atual esposa.
Outro ponto
destacado pelo artista é o
pátio de São Pedro, por sua
beleza e relevância na sua
carreira. Foi lá onde ele
começou suas primeiras
apresentações. "O pátio
tinha um papel muito importante,
havia concertos. Eu tocava Bach
no violino. Foi quando Ariano
(Suassuna) viu e me chamou para
integrar o Quinteto
Armorial", conta.
LITORAL -
Saindo de Recife, e um pouco do
citado ócio, a praia preferida
de Nóbrega é Tamandaré.
"Minha família tem uma casa
lá e há muito tempo me
afeiçoei ao local". Mas, o
artista não fez comentários
apenas à beleza da praia.
"Eu fico muito triste com a
falta de educação do povo. Não
falo do povão, mas das classes
média e alta", critica,
dizendo que muitos banhistas
precisam se educar para o lazer.
"Para mim,
a natureza já é o bastante.
Mas, as pessoas querem mais. Se
fosse possível, usariam até
helicóptero. Abusam do jet ski,
dos barcos, dos jipes e do som
alto", referindo-se às
portas abertas do carros
explodindo em decibéis com muito
pagode e axé music.
Voltando à
capital, Antônio Carlos Nóbrega
cita alguns locais de
visitação. "Recife é uma
cidade que pode investir bastante
no turismo cultural, como visitas
à oficina de Brennand",
conta. "Outra opção é ir
à casa do gravador Samico e
adquirir uma de suas
gravuras", diz, enquanto
segura a camisa com os desenhos
do artista plástico, que faz
parte do figurino do show Madeira
Que Cupim Não Rói. Como se viu,
de ocioso ele não tem nada.(D.N)