- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 02 de abril de 1998

GENTE FAMOSA IV
Uma viagem armorial com Antônio Carlos Nóbrega

"Não sou uma pessoa muito do lazer, prefiro o ócio. É nele que surge a minha criação", diz Antônio Carlos Nóbrega, com o seu jeito de moleque contido. Para o caderno Turismo & Lazer o artista revelou os lugares prediletos na primeira terra que conheceu o seu talento, Pernambuco.

A viagem armemorial do artista começa pelo bairro de Casa Forte. Lá, Nóbrega passou por experiências que vão do lúdico ao tragicômico. Ele foi um dos personagens anônimos da cheia de 75. "Saí da minha casa com água na cintura. Na mão esquerda levei o violino e na direita, o papagaio". Este papagaio é só pra compor a imagem? "Não! Foi mesmo!", reafirma o criador de Tonheta.

Aliás, o personagem-chave de Nóbrega nasceu a partir dessa cheia. "Com o acontecido, muita gente quis vender suas casas perto do rio. E eu comprei uma delas (que fica na rua Poço da Panela, 108) só para ensaiar espetáculos". Os dois primeiros namoros do Brincante também foram no bairro. Tempos depois, na igreja Nossa Senhora da Saúde, ele casou-se com a sua atual esposa.

Outro ponto destacado pelo artista é o pátio de São Pedro, por sua beleza e relevância na sua carreira. Foi lá onde ele começou suas primeiras apresentações. "O pátio tinha um papel muito importante, havia concertos. Eu tocava Bach no violino. Foi quando Ariano (Suassuna) viu e me chamou para integrar o Quinteto Armorial", conta.

LITORAL - Saindo de Recife, e um pouco do citado ócio, a praia preferida de Nóbrega é Tamandaré. "Minha família tem uma casa lá e há muito tempo me afeiçoei ao local". Mas, o artista não fez comentários apenas à beleza da praia. "Eu fico muito triste com a falta de educação do povo. Não falo do povão, mas das classes média e alta", critica, dizendo que muitos banhistas precisam se educar para o lazer.

"Para mim, a natureza já é o bastante. Mas, as pessoas querem mais. Se fosse possível, usariam até helicóptero. Abusam do jet ski, dos barcos, dos jipes e do som alto", referindo-se às portas abertas do carros explodindo em decibéis com muito pagode e axé music.

Voltando à capital, Antônio Carlos Nóbrega cita alguns locais de visitação. "Recife é uma cidade que pode investir bastante no turismo cultural, como visitas à oficina de Brennand", conta. "Outra opção é ir à casa do gravador Samico e adquirir uma de suas gravuras", diz, enquanto segura a camisa com os desenhos do artista plástico, que faz parte do figurino do show Madeira Que Cupim Não Rói. Como se viu, de ocioso ele não tem nada.(D.N)


     

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