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SWANN
Alessandro
Porro
As
confissões de Swann 1
Anotando uma
espécie de incontrolável mania:
Swann chega num lugar -
restaurante, bar, teatro, salão
de festas, casa de conhecidos,
etc. - tira do bolso um pedaço
qualquer de papel, uma caneta, e
toma nota. Do quê? Nem sempre de
assuntos que aparecem na coluna.
São flashes de situações
engraçadas, trechos de
diálogos, cenas que parecem de
uma comédia. Swann grava tudo,
num frenesi irreprimível.
Vejamos algumas coisas anotadas
neste fim de semana. O Don
Camillo, a cantina de luxo de
Angelo Neroni, na Atlântica, no
Rio, tem tanta gente que o
tocador de contrabaixo do
conjunto napolitano é obrigado a
afastar-se: seu imponente
instrumento ocupa o espaço de
uma mesa. O público, como sempre
cruel (ou distraído), não se
comove com o drama do músico. E
continua cantando "Volare,
oh, oh", entre uma garfada e
outra de deliciosos spaghetti ai
frutti di mare. Do coro,
afinadíssimo (ouve um ensaio
geral, sim ou não?), toma parte
com entusiasmo
"pavarottiano" o
cônsul-geral da Itália no Rio
de Janeiro, ministro Giuseppe
Magno. No Pantagruel, da Maria
Angélica, José Fernandes - que
acaba de receber de Paris as
famosas codornas desossadas e
recheadas de patê de foie gras -
vai de mesa em mesa para anunciar
a boa nova. Alguém tenta um
aplauso, tamanho é o
contentamento. De repente, uma
jovem e elegantíssima cliente
pergunta ao maduro acompanhante:
"Querido, eu da codorna
conheço aquele ovinho que vem
com o couvert. Agora, será que o
bichinho em si é coisa boa de
comer?"
As
confissões de Swann 2
Na Colombo, da
Rua Gonçalves Dias, é a hora do
chá. Sala cheia de turistas e de
maduras senhoras da Zona Sul que
aventuraram-se até o Centro
armadas de inócuos celulares.
Nenhuma delas consegue falar com
a filha ou com o marido. Mas
acabam descobrindo que entre elas
podem falar. Daí começa uma
festa delirante, que transforma a
Colombo na sucursal da famosa
cervejaria de Munich, na
Alemanha, onde a paquera corre
solta entre as mesas, todas
equipadas com telefones, que
servem para ver se a loura da 21
está disposta a aceitar o
convite do cavalheiro da 54, e
assim por diante. Na Colombo o
festival é de outro tipo: as
senhoras comunicam-se para dizer
o que pensam da Telerj. E sai de
baixo. Domingo, meio-dia, no
Caneco 70. É o Leblon que tenta
repetir a Promenade des Anglais,
de Nice, com um tanto de cor a
mais. Entre os banhistas que
tomam chope, um senhor, com seus
40, terno preto, camisa branca e
gravata austera, lê um livro e
pede mais um café. Quando chama
o garçom, revela ser dono de uma
voz forte, grave como a de um
baixo búlgaro. Algumas senhoras
o olham com interesse. O
cavalheiro abandona o livro na
cadeira, para tomar seu café.
Título: "Tornar-se gay - O
caminho da
auto-aceitação". Não é
nada, não é nada, mas a coisa
deixa a mulherada de mau humor.
Passarelas
No Jockey Club,
na Feira Hype, no Rio, Camila
Pitanga (foto) desfilou com
jóias de Lígia Durand e
maquiagem marroquina com alto
teor de sensualidade. O
septagenário Leo Tjurs
apresentou bolsas de Gilson
Martins e Regininha Poltergeist
nem chegou a desfilar: levou um
tombo colossal. No Gattopardo,
outro desfile. Desta vez de
lingerie italiana da Maison La
Perla. O público masculino ficou
interessadíssimo. Quando
apareceu Cristine Niemeyer - uma
feliz volta às passarelas -
muitos acerditaram estar revendo
Marilyn Monroe.
Como se
faz?
O presidente do
Peru, Alberto Fujimori,
interessado em seu terceiro
mandato, anda fazendo de tudo
para ver como se faz, e procura
mestres. Agora, ele pediu uma
audiência privada ao colega
brasileiro Fernando Henrique
Cardoso, a realizar-se durante a
Cúpula das Américas, que
acontecerá nos dias 17 e 18 de
abril, em Santiago do Chile. O
presidente brasileiro concordou e
o encontro - reservado - já
está marcado em sua agenda.
Nunca
mais
Uma das piadas
que anda correndo solta no
Itamaraty. Estão fazendo uma
pesquisa nos Estados Unidos, pela
qual as mulheres americanas
precisam responder a esta
pergunta: "Você gostaria de
dormir com o presidente Bill
Clinton?" Eis o resultado:
Dez por cento disse que não
sabia; dez por cento disse que
não, absolutamente não
gostaria, e 80% por cento gritou:
"Pelo amor de Deus, de novo
não".
Tagarelas
Um grupo de
adolescentes perturbou a sessão
de "Melhor É
Impossível", no
Barrashopping, sexta à tarde, no
Rio. Elas não paravam de falar.
A atriz Maria Mariana, presente
no cinema, bem que podia ter
reclamado.
Guloseimas
Ato de
perjúrio da fofíssima Marilena
Cury: prometeu que faria qualquer
sacrifício para emagrecer, mas
foi flagrada na padaria
Rio-Lisboa, do Leblon, enchendo
uma cestona de guloseimas. As
mãos tremidas e o olhar vidrado.
Papai
Renato
Animada, a mesa
do atacante do Flamengo Renato
Gaúcho (foto), sábado, no Alho
e Óleo, de Ipanema, no Rio. O
jogador estava acompanhado do
irmão, da filha Carolina e da
jornalista Carla Cavalcanti, mãe
da menina.
É só
rezar
O médico
Nelson Bergman, morador do
Leblon, no Rio, ligou para
reclamar de um defeito em seu
telefone. Muito atenciosa, a
funcionária da Telerj desabafou:
"Como diz minha avó, o
jeito é rezar muito. Também
estou sem telefone lá em casa
há três dias". Preocupado
com o que ouviu, o médico
dirigiu-se a uma loja da Telerj,
onde foi, mais uma vez, muito bem
atendido. Um rapaz simpático
disse: "Senhor, vou lhe
dizer uma coisa. Trabalho na
Telerj e fiquei sem telefone
durante um mês. Sem um pistolão
vai ficar difícil". Depois
de 48 horas o telefone voltou a
funcionar. Deve ter sido a reza
da avó da funcionária.
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