-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 06 de abril de 1998


SWANN
Alessandro Porro

As confissões de Swann 1

Anotando uma espécie de incontrolável mania: Swann chega num lugar - restaurante, bar, teatro, salão de festas, casa de conhecidos, etc. - tira do bolso um pedaço qualquer de papel, uma caneta, e toma nota. Do quê? Nem sempre de assuntos que aparecem na coluna. São flashes de situações engraçadas, trechos de diálogos, cenas que parecem de uma comédia. Swann grava tudo, num frenesi irreprimível. Vejamos algumas coisas anotadas neste fim de semana. O Don Camillo, a cantina de luxo de Angelo Neroni, na Atlântica, no Rio, tem tanta gente que o tocador de contrabaixo do conjunto napolitano é obrigado a afastar-se: seu imponente instrumento ocupa o espaço de uma mesa. O público, como sempre cruel (ou distraído), não se comove com o drama do músico. E continua cantando "Volare, oh, oh", entre uma garfada e outra de deliciosos spaghetti ai frutti di mare. Do coro, afinadíssimo (ouve um ensaio geral, sim ou não?), toma parte com entusiasmo "pavarottiano" o cônsul-geral da Itália no Rio de Janeiro, ministro Giuseppe Magno. No Pantagruel, da Maria Angélica, José Fernandes - que acaba de receber de Paris as famosas codornas desossadas e recheadas de patê de foie gras - vai de mesa em mesa para anunciar a boa nova. Alguém tenta um aplauso, tamanho é o contentamento. De repente, uma jovem e elegantíssima cliente pergunta ao maduro acompanhante: "Querido, eu da codorna conheço aquele ovinho que vem com o couvert. Agora, será que o bichinho em si é coisa boa de comer?"

As confissões de Swann 2

Na Colombo, da Rua Gonçalves Dias, é a hora do chá. Sala cheia de turistas e de maduras senhoras da Zona Sul que aventuraram-se até o Centro armadas de inócuos celulares. Nenhuma delas consegue falar com a filha ou com o marido. Mas acabam descobrindo que entre elas podem falar. Daí começa uma festa delirante, que transforma a Colombo na sucursal da famosa cervejaria de Munich, na Alemanha, onde a paquera corre solta entre as mesas, todas equipadas com telefones, que servem para ver se a loura da 21 está disposta a aceitar o convite do cavalheiro da 54, e assim por diante. Na Colombo o festival é de outro tipo: as senhoras comunicam-se para dizer o que pensam da Telerj. E sai de baixo. Domingo, meio-dia, no Caneco 70. É o Leblon que tenta repetir a Promenade des Anglais, de Nice, com um tanto de cor a mais. Entre os banhistas que tomam chope, um senhor, com seus 40, terno preto, camisa branca e gravata austera, lê um livro e pede mais um café. Quando chama o garçom, revela ser dono de uma voz forte, grave como a de um baixo búlgaro. Algumas senhoras o olham com interesse. O cavalheiro abandona o livro na cadeira, para tomar seu café. Título: "Tornar-se gay - O caminho da auto-aceitação". Não é nada, não é nada, mas a coisa deixa a mulherada de mau humor.

Passarelas

No Jockey Club, na Feira Hype, no Rio, Camila Pitanga (foto) desfilou com jóias de Lígia Durand e maquiagem marroquina com alto teor de sensualidade. O septagenário Leo Tjurs apresentou bolsas de Gilson Martins e Regininha Poltergeist nem chegou a desfilar: levou um tombo colossal. No Gattopardo, outro desfile. Desta vez de lingerie italiana da Maison La Perla. O público masculino ficou interessadíssimo. Quando apareceu Cristine Niemeyer - uma feliz volta às passarelas - muitos acerditaram estar revendo Marilyn Monroe.

Como se faz?

O presidente do Peru, Alberto Fujimori, interessado em seu terceiro mandato, anda fazendo de tudo para ver como se faz, e procura mestres. Agora, ele pediu uma audiência privada ao colega brasileiro Fernando Henrique Cardoso, a realizar-se durante a Cúpula das Américas, que acontecerá nos dias 17 e 18 de abril, em Santiago do Chile. O presidente brasileiro concordou e o encontro - reservado - já está marcado em sua agenda.

Nunca mais

Uma das piadas que anda correndo solta no Itamaraty. Estão fazendo uma pesquisa nos Estados Unidos, pela qual as mulheres americanas precisam responder a esta pergunta: "Você gostaria de dormir com o presidente Bill Clinton?" Eis o resultado: Dez por cento disse que não sabia; dez por cento disse que não, absolutamente não gostaria, e 80% por cento gritou: "Pelo amor de Deus, de novo não".

Tagarelas

Um grupo de adolescentes perturbou a sessão de "Melhor É Impossível", no Barrashopping, sexta à tarde, no Rio. Elas não paravam de falar. A atriz Maria Mariana, presente no cinema, bem que podia ter reclamado.

Guloseimas

Ato de perjúrio da fofíssima Marilena Cury: prometeu que faria qualquer sacrifício para emagrecer, mas foi flagrada na padaria Rio-Lisboa, do Leblon, enchendo uma cestona de guloseimas. As mãos tremidas e o olhar vidrado.

Papai Renato

Animada, a mesa do atacante do Flamengo Renato Gaúcho (foto), sábado, no Alho e Óleo, de Ipanema, no Rio. O jogador estava acompanhado do irmão, da filha Carolina e da jornalista Carla Cavalcanti, mãe da menina.

É só rezar

O médico Nelson Bergman, morador do Leblon, no Rio, ligou para reclamar de um defeito em seu telefone. Muito atenciosa, a funcionária da Telerj desabafou: "Como diz minha avó, o jeito é rezar muito. Também estou sem telefone lá em casa há três dias". Preocupado com o que ouviu, o médico dirigiu-se a uma loja da Telerj, onde foi, mais uma vez, muito bem atendido. Um rapaz simpático disse: "Senhor, vou lhe dizer uma coisa. Trabalho na Telerj e fiquei sem telefone durante um mês. Sem um pistolão vai ficar difícil". Depois de 48 horas o telefone voltou a funcionar. Deve ter sido a reza da avó da funcionária.

 
 

 

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