GREVE DE FOME
Seqüestradora
chilena recebe apoio da ItáliaSÃO PAULO - A
Itália é o mais novo país a
pressionar o Governo brasileiro
para uma solução no caso dos
seqüestradores do empresário
Abílio Diniz. Isso porque, além
de chilena, a seqüestradora
Maria Emília Marchi Badilla tem
cidadania italiana. O cônsul da
Itália em São Paulo, Carlo
Schilatti, visitou ontem a única
mulher entre os oito presos que
estão internados no Hospital das
Clínicas.
Hoje, o grupo
entrará no 22º dia de greve de
fome e deverá decidir se aumenta
ou não o rigor do protesto,
deixando de aceitar a reposição
de sais de potássio e sódio que
vem recebendo desde quinta-feira.
A falta dos sais pode causar
parada cardíaca e convulsões.
Maria Emília
escreveu uma carta ao cônsul
agradecendo a visita. Segundo
seus parentes, o cônsul disse
que existe a possibilidade de o
embaixador italiano no Brasil
visitá-la. Eles receberam
também a informação de que um
grupo de parlamentares da
esquerda italiana, entre eles,
Russo Spena, da Refundação
Comunista, enviou um pedido à
Comissão de Direitos Humanos do
Parlamento Europeu requisitando a
apuração do caso.
Além do
cônsul italiano, os presos
encontraram-se ontem com o
cônsul da Argentina em São
Paulo, Guilhermo Hurt, que, a
exemplo dos diplomatas chilenos,
também deseja uma solução para
o problema. Ele conversou com o
líder do grupo, o argentino
Humberto Paz. Os seqüestradores
em greve querem a expulsão dos
sete estrangeiros do país -
cinco chilenos e dois argentinos
- e o indulto para o único
brasileiro do grupo, Raimundo
Rosélio Costa Freire.
Ontem, os
chilenos enviaram uma carta ao
cônsul do Chile em São Paulo,
Alfredo Tapia. Endereçada ao
presidente Eduardo Frei - que
chega ao Brasil amanhã e deve
reunir-se com o presidente
Fernando Henrique Cardoso - a
carta relata a situação dos
presos. "Um Governo composto
por homens e mulheres que
participaram das lutas pela
democracia não pode esquecer
esse passado", diz o
documento.