PONTAL
Rainha
promete realizar a
"operação fim de ano"SP -- O principal
líder do MST do Pontal do
Paranapanema (SP), José Rainha
Júnior, confirmou ontem a
intensificação das invasões de
propriedades rurais naquela
região durante este mês. A
"operação fim de
ano", conforme explicou,
objetiva pressionar o Governo a
acelerar o processo de
aquisição de áreas para o
assentamento das famílias
acampadas.
Uma das
principais preocupações do MST
do Pontal é pressionar o
Instituto de Terras do Estado de
São Paulo (Itesp) a comprometer
os R$ 25 milhões repassados pelo
Governo Federal e destinados ao
pagamento das benfeitorias em
terras devolutas que estão sendo
reivindicadas para serem
transformadas em assentamentos.
Os sem-terra temem que se o
dinheiro não for comprometido
até o fim do ano, poderá ser
devolvido ao Tesouro Nacional.
Além da
aplicação daqueles recursos,
Rainha lembra que apesar das
promessas feitas pelo ministro
extraordinário de Assuntos
Fundiários, Raul Jungmann, o
Governo não está conseguindo
vencer o processo burocrático
para assumir o controle de
fazendas que estão sendo
desapropriadas diretamente pelo
Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária
(Incra).
Exemplo disso,
segundo ele, é o caso da Fazenda
Santa Clara, em Mirante do
Paranapanema, cujos
proprietários esperam apenas ser
indenizados pelos valores
previamente acordados para
liberar as terras. A fazenda,
invadida há mais de 40 dias,
teve reintegração de posse
judicial cumprida quarta-feira
(2), o que permitiu aos
proprietários reconstruir cercas
que haviam sido destruídas.
Agora, Rainha
volta a ameaçar. "Não há
dúvidas de que ainda esta semana
os trabalhadores voltarão para
aquelas terras". O líder
lembra que durante a ocupação
os sem-terra plantaram 3 hectares
de mandioca que pretendem
proteger.
Mesmo
reafirmando o propósito dos
sem-terra de intensificar as
invasões no Pontal, Rainha
estará amanhã em Brasília onde
vai encontrar-se com o presidente
do Incra, Milton Seligmann. A
audiência, segundo ele, foi
agendada pelo deputado federal e
advogado do MST, Luiz Eduardo
Grenhalgh (PT-SP).
COBRANÇA -
O líder quer aproveitar o
encontro para colocar a posição
do MST em relação à atuação
do orgão no Pontal, cobrando
medidas efetivas para o
assentamento das famílias
acampadas e estabelecendo
entendimentos para a liberação
de novos créditos para as
famílias que já receberam suas
terras.
O Itesp
divulgou nota informando que
está negociando com o Incra a
continuidade do convênio vigente
desde o fim de 1996, que permite
o repasse de recursos federais
para a indenização de
benfeitorias em terras devolutas.