JUSTIÇA
José
Gregori premiado na ONU pela
defesa dos direitos humanosBRASÍLIA - O
Brasil vai comemorar os 50 anos
da Declaração dos Direitos
Humanos amanhã, de uma maneira
inédita. Pela primeira vez, um
brasileiro - o secretário
nacional de Direitos Humanos,
José Gregori - receberá um
prêmio da Organização das
Nações Unidas (ONU) pela defesa
dos direitos humanos.
Na
quinta-feira, ele vai receber o
prêmio das mãos do
secretário-geral da ONU, Kofi
Annan, e estará no mesmo patamar
de outras personalidades
internacionais que se destacaram
neste setor, como Martin Luther
King e o presidente sul-africano,
Nelson Mandela.
Gregori é
responsável pela elaboração do
Plano Nacional de Direitos
Humanos, criado em 1996 pelo
presidente Fernando Henrique
Cardoso, que serviu de modelo
para outros países, como a
China. "Na verdade, este
prêmio tem caráter de estímulo
ao Brasil, para que não deixe de
atuar neste setor", diz
Gregori.
IMAGEM -
Advogado e amigo pessoal de
Fernando Henrique Cardoso, o
secretário se destacou na área
dos direitos humanos quando foi
coordenador da Comissão de
Justiça e Paz da Arquidiocese de
São Paulo. Segundo ele, nos
últimos anos o País melhorou
sua imagem no exterior por causa
do plano nacional de direitos
humanos, que deu resposta
imediata às cobranças de
grupos, governos e entidades que
atuam na defesa dos direitos
humanos. "Hoje as cobranças
são menores que o reconhecimento
por esses setores", avalia.
Apesar de ter
tido atuação efetiva em alguns
casos que abalaram a opinião
pública nacional e
internacional, como os massacres
de sem-terra em Eldorado de
Carajás, em abril de 1996, e de
Corumbiara, um ano antes, além
da morte de 111 presos na
penitenciária do Carandiru, o
Governo ainda não conseguiu que
os acusados pelos crimes fossem
à julgamento.
"No
exterior, a maior cobrança é a
morosidade da Justiça e a
violência da polícia", diz
Gregori, ressaltando que nos
últimos anos a Justiça
brasileira tem avançado nesta
área, mas a própria
legislação atrasa a conclusão
dos processos.
Os 50 anos da
Declaração dos Direitos Humanos
serão comemorados amanhã, no
Palácio do Planalto, quando o
presidente Fernando Henrique
Cardoso irá premiar
personalidades, estudantes e
organizações
não-governamentais (ONGs) que
tiveram destaque na defesa dos
direitos humanos. O cineasta
Nelson Pereira do Santos também
receberá o Prêmio de Cinema
concedido pela Unesco pela
produção de obras relacionadas
aos direitos humanos.
Hoje, a Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB)
lançará um livro prefaciado
pelo secretário-geral das
Nações Unidas, Kofi Annan, onde
diversos juristas e
personalidades do setor cultural,
como Adolfo Perez Esquivel,
Evandro Lins e Silva, Lígia
Fagundes Telles, dom Pedro
Casaldália, Fábio Konder
Comparato, irão comentar cada um
dos 30 artigos da declaração.
A OAB também
irá homenagear Austragésilo de
Athayde, o único brasileiro que
participou da elaboração do
documento.