ARTES CÊNICAS
Globais
fazem festa de adolescentesMinutos antes da peça
D'Artagnan e os Três
Mosqueteiros ter início, corria
no ar uma sensação de que uma
verdadeira guerra iria começar,
a qualquer momento, entre a
platéia e os quatro atores
globais. "Elas vão gritar o
tempo todo", suspeitavam os
atores. "Nós vamos gritar e
muito", confirmavam as
adolescentes, que lotaram o
Teatro da UFPE.
Não é
possível falar desse espetáculo
sem remeter diretamente às
sessões de histeria que Marcelo
Faria, Rodrigo Santoro, Thierry
Figueira e Pedro Vasconcelos
exerceram sobre o público. As
meninas cumpriram o seu papel de
fãs apaixonadas - bem melhor do
que os galãs cumpriram os deles
como atores. Caixas de chocolate,
agendas, ursinhos e até mesmo
uma torta de morango eram alguns
dos presentes que as garotas
traziam para os astros.
O mais
interessante de todo esse
comportamento das meninas é que
as sessões de gritos, que
aconteciam na platéia a cada
gesto dos atores, parecia ser
mais um dos recursos cênicos da
peça do que uma coisa exterior
ao espetáculo.
Nem toda a boa
vontade do mundo consegue ver
algo bem estruturado em
D'Artagnan e os Três
Mosqueteiros. A direção
transformou o texto de Alexandre
Dumas em um samba do crioulo
doido, quase sem continuidade.
O maior
problema da peça foi mesmo a
interpretação dos atores, que
tentavam adquirir um gestual
"teatral" e caíram na
caricatura. As cenas de esgrima
foram o destaque de
D'Artagnan..., só que a
insistência em recorrer às
lutas para quebrar a monotonia
acabou não funcionando.
Quando a peça
terminou, a impressão de que o
mal alinhavado espetáculo seria
rapidamente esquecido, até mesmo
pelas fãs, foi inevitável. E a
música Money For Nothing
(dinheiro por nada), que rolou ao
final, só fez confirmar essa
idéia. (S.C.)