SHOW
Das
periferias para o centropor DIANA MOURA
BARBOSA
Público fiel
é o mínimo que se pode dizer da
moçada que encheu o Circo Maluco
Beleza para assistir ao show do
Racionais MC's. Estima-se que
umas quatro mil pessoas tenham
ido ao local. Se o número
estiver correto, havia por lá
umas 1.500 camisetas da banda e
cerca de dois mil marmanjos de
cabeça raspada - complemento
indispensável para quem cultua o
visual hip hop. Pelo clima do
Circo, dava para notar que a
galera não estava lá para
brincadeira. Antes de começar o
segundo show - excelente
apresentação de Spider e
Icógnita Rap -, houve até tiros
na porta da casa de espetáculos.
Segundo um
produtor cultural que não quis
se identificar, os disparos
partiram dos seguranças, que
atiraram para "organizar a
fila". "Por sorte,
ninguém se feriu, mas essa
empresa é muito
irresponsável", reclamou o
produtor. Apesar de, no palco, os
músicos cantarem letras de paz,
por três vezes os shows foram
interrompidos por causa de
pequenos desentendimentos do
público. No mais, a noite foi
tranqüila.
As duas bandas
de abertura cumpriram com
destaque o seu papel. O Templo
foi a primeira da noite, seguida
pelo pessoal do Spider e
Icógnita Rap, que levam os
metais para o rap e por isso
acabam fazendo um som mais
maneiro e dançante. A banda
subiu ao palco bem afinada e com
um ritmo de show eficiente.
Às 1h20 da
madrugada os integrantes do
Racionais subiram ao palco. Como
sempre, eles não quiseram muito
contato com a imprensa, não
deram entrevistas e não deixaram
os fotógrafos ficarem no palco,
como é de praxe. Sirenes e luzes
de carros de polícia avisaram
que a apresentação estava
começando. A receptividade do
público foi a melhor, com muito
aplausos, gritos e coro nas
principais canções.
Na brodagem, os
músicos mandaram um
"salve!" para o Alto
José do Pinho, Santo Amaro,
Prazeres e para os subúrbios
paulistas. Como eles dizem:
Periferia é Periferia - em
qualquer lugar. Também foram
lembradas por Mano Brown,
vocalista dos Racionais, as
bandas locais Faces do Subúrbio,
O Templo e Detentos do Gueto.
Eles também abriram espaço para
que o público exibisse passos de
hip hop num malabarismo
impressionante. Enfim, um show
daqueles que rende assunto para
uma semana de conversa jogada
fora.