SHOW III
Repertório
e cenário óbvios marcam o show
de Ritapor
SCHNEIDER CARPEGGIANI
Há uns cinco
ou seis anos, o projeto Unplugged
da MTV era uma verdadeira idéia
de gênio. Artistas consagrados
fazendo apresentações em locais
pequenos, despidos de toda
parafernália técnica. Esses
shows renderam discos memoráveis
como o do Nirvana (lá fora) e o
de Gilberto Gil (por aqui). Como
deu certo para alguns, todo
mundo, de uma hora para outra,
quis ficar "desligado",
e esse formato acabou se tornando
uma fórmula para levantar
carreiras estagnadas, vendendo
assim um repertório surrado com
uma roupagem moderninha e
intimista. A última a entrar
nesse barco foi Rita Lee, que
mostrou o resultado do seu
"casamento" com a MTV,
na Fun House.
Foi uma pena
ver uma artista tão legal e com
um histórico tão importante na
música popular brasileira, como
Rita Lee, fazer uma
apresentação com um repertório
e cenário - dizer que a maior
referência dos elementos
presentes no palco eram da
cultura hippie, já é
redundância - tão óbvios, como
foi o do show Meio Desleegada.
A
apresentação foi aberta com a
primeira música de trabalho do
novo CD, a regravação de Agora
Só Falta Você, que teve o
arranjo mais bem resolvido dessa
nova investida da artista. Depois
disso foi um festival de hits
como Mania de Você, Lança
Perfume e Doce Vampiro, todas
elas interpretadas de uma forma
burocrática e mecânica. O
público parecia não querer
outra coisa e vibrou do começo
ao fim.
Se o
repertório foi de uma obviedade
interminável, a figura
carismática de Rita foi o ponto
alto do espetáculo. Durante o
show, ela fez piadas com todo
mundo, de Xuxa a Paulo Maluf e
até chamou o público para
dividir os vocais no palco.
Para quem não
conseguiu engolir o novo formato
de Rita Lee e para aqueles que
"acharam o máximo a rainha
do rock estar desligada",
uma dica: esqueça esse CD da MTV
e corra atrás de Bossa and Roll
Ao Vivo, lançado em 92, antes da
onda unplugged, um trabalho
realmente acústico, intimista e
básico na discografia de Rita.