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CENA
POLÍTICA
Ciro
Carlos Rocha
Sem diálogo
Não há
nenhuma perspectiva de diálogo
entre o atual e o futuro Governo,
pelo menos em se tratando do
assunto mais comentado, nos
últimos dias: a situação dos
servidores públicos do Estado,
ameaçados de assistir à chegada
do Papai Noel sem ter recebido o
décimo-terceiro, além dos
salários que estão em atraso. A
nota conjunta que o PMDB e o PFL
(União por Pernambuco) publicam
hoje, nos jornais, vai nesta
linha.
Como já era
previsto, a radicalização
política ultrapassou o período
da campanha eleitoral e, nos dois
lados desta contenda, ninguém
admite ceder um milímetro que
seja de sua estratégia, nesse
verdadeiro jogo de xadrez
político. Pior para o atual
Governo, que tem poucas (talvez
nenhuma) balas no cartucho, para
concluir a administração
deixando, como prometeu, os
salários em dia. Resultado: o
tiroteio verbal continua, em meio
ao evidente quadro de
dificuldades financeiras do
Estado.
Mas, se os
arraesistas não conseguem achar
uma saída para pagar a folha - e
os jarbistas só fazem lembrar
que o governador eleito ainda
não tomou posse, sem sinalizar
disposição para o diálogo -
pior mesmo será para a grande
massa de servidores. Que, além
de não receber o salário, ainda
continuará ouvindo um bate-boca
típico de campanha política.
Saco de
maldades
Para Sílvio
Pessoa, FHC quis dar um passo
maior do que as pernas ao tentar
aprovar o aumento da
contribuição previdenciária e
o redutor da pensão das viúvas.
Ele acha que o Governo deveria
deixar o "saco de
maldades" e tentar outras
economias. Sugere, por exemplo, o
fim dos juízes classistas.
"Eles não passam de
pregoeiros do andor",
afirma.
Ocupando
espaço
Severino
Cavalcanti não perde tempo. Já
articula a sua permanência na
mesa diretora da Câmara, como
2º vice-presidente. A vaga
pertence ao PPB e "Zito
Miracapillo" tem tudo para
continuar ocupando o espaço. Seu
adversário na disputa será
João Mendes (PPB-RJ).
"Estou tranqüilo e certo da
vitória", diz o parlamentar
malufista.
Briga boa
O prefeito
Roberto Magalhães (PFL) estima
que, se o município não
perdesse dinheiro para a União
por conta do FEF e do Fundef -
considera este último
inconstitucional - poderia
"cobrir o Recife inteiro com
o Bolsa-Escola". Em 97, as
perdas com o Fundef chegaram a R$
12,5 milhões e, este ano, a
previsão é de R$ 14 milhões.
Magalhães lamenta, vai à
Justiça contra a cobrança mas,
por enquanto, não fala
abertamente em rompimento com o
presidente FHC.
No muro
André Campos
tem evitado fazer qualquer
comentário sobre a disputa
interna do seu partido, o PSDB,
entre o grupo que pretende ficar
na oposição e o que quer
"jarbar". "Eu não
falo nada. Não sou papagaio, sou
tucano", explica.
Costura 2000
Pequenos
partidos já estão se armando em
Jaboatão para 2000. Adelson
Veras, do PMN, quer sair
candidato a prefeito. Roberval
Brito, do PSC, se articula com o
mesmo objetivo. Ambos admitem uma
coligação só com as legendas
menores.
Em Alta
Vale registrar
a "grita" do senador
Roberto Freire (PPS) contra
gastos do Judiciário com
prédios públicos. Em tempos de
ajuste fiscal, a economia deve
partir de todos os lados. A
discussão é apropriada, quando
se fala em cortes no Orçamento.
Em Baixa
A "dança
da recontagem" ofusca o bom
trabalho que o TRE teve nas
eleições e com o voto
eletrônico. Na votação
tradicional, há inclusive a
suspeita de divisão de votos
nulos e brancos entre candidatos,
em Santa Cruz do Capibaribe.
Bateu, levou
O governador
eleito Jarbas Vasconcelos (PMDB)
deixa entender que, em seu
Governo, não haverá nenhum
"Cláudio Humberto". A
execução do "bateu,
levou" seria dele próprio,
Jarbas. Pra tudo que é lado.
Troféu
limão
O Governo ainda
nem começou e o futuro
secretário de Coordenação,
Edgar Moury Fernandes, já é
cotado para o "Troféu
Limão 99". Nos contatos com
a imprensa, o homem tá azedo que
tá danado...
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ciro@jc.com.br
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