CONTAS PÚBLICAS
Sem
acordo, Governo só paga novembroSão poucas as chances
dos servidores públicos
estaduais receberem os salários
de dezembro e o 13º em dia,
apesar de existirem alternativas
financeiras para isso. Se for
mantido o rompimento do diálogo
sobre o assunto, entre a equipe
do atual governador Miguel Arraes
(PSB) e os integrantes da futura
administração de Jarbas
Vasconcelos (PMDB), só vai sair
neste mês o pagamento de
novembro, que vence hoje. As duas
partes trocam acusações de
responsabilidade e não tomam
decisões conjuntas para
encaminhar soluções para o
problema. Sem mais de R$ 350
milhões - referentes as três
últimas folhas de pagamento de
1998 - circulando no Estado,
haverá queda da atividade
econômica.
"O governo
Arraes não quer ser o dono da
solução mas, a oposição
trabalhou para posar de salvadora
da pátria em janeiro, sem levar
em consideração que toda a
economia vai perder e o próprio
Estado vai arrecadar menos",
acusou ontem à noite, o
secretário de Governo, Dilton da
Conti. Segundo ele, integrantes
do futuro governo articularam com
a Advocacia Geral da União (AGU)
para que os recursos da
privatização do Bandepe (R$ 179
milhões) só possam ser usados
para pagar pessoal em janeiro,
quando Jarbas assumir.
"Se fosse
uma ação da AGU eles teriam
solicitado o sequestro do
dinheiro, que iria direto para a
Secretaria do Tesouro Nacional
(STN) e não mais voltaria para
Pernambuco. Como optaram pelo
arresto, se a Justiça decidir,
os recursos continuarão aqui e
eles vão querer ser os donos da
solução", afirmou Da
Conti. Ele garantiu que um
funcionário do alto escalão da
STN sinalizou com um acordo para
o uso do dinheiro da
privatização desde que tenha o
apoio de Jarbas. O Governo do
Estado enviou à Brasília uma
notificação, desde quarta-feira
passada, solicitando por escrito
a proposta. "O futuro
secretário da Fazenda, Jorge
Jatobá, sabe da
negociação", disse Da
Conti, sem revelar o nome do
funcionário.
Em nota
publicada hoje na imprensa (leia
a íntegra na página 4), a
União por Pernambuco (PMDB/PFL),
coligação que elegeu Jarbas
Vasconcelos, reafirma que o
Estado tem condições de pagar
os salários do funcionalismo e
que por não fazer isso,
"vem contribuindo para gerar
insegurança no Estado, devendo
ser responsabilizado pelo que
vier a ocorrer até o dia 31 de
dezembro". O governo Arraes
também é cobrado a explicar
como está aplicando os recursos
dos impostos e porque não
iniciou o pagamento da folha de
novembro e não se preparou para
quitar o 13º salário.
Num indicativo
de que não deve haver mais
entendimento sobre o tema, a nota
diz que, "na ânsia de fugir
da responsabilidade pelo caos
administrativo e financeiro que
gerou no Estado nos últimos
quatro anos, o atual governo vem
tentando, por todos os meios,
desgastar o governador eleito
Jarbas Vasconcelos, querendo
dividir com ele a
responsabilidade pelo pagamento
de salários dos
servidores".
FUNDEF -
A outra alternativa que o governo
tem para captar recursos através
de empréstimo para ser pago com
o ressarcimento das perdas do
Fundo para o Desenvolvimento do
Ensino Fundamental (Fundef), num
total de R$ 63 milhões, também
depende do entendimento
político. "Se a oposição
deixar de lado a mesquinharia e
não pensar em projetos pessoais,
com o empréstimo via Fundef
poderemos quitar quase todo
débito de pessoal em
dezembro", atacou Da Conti,
que participou de uma longa
reunião com o governador e o
procurador geral do Estado, Izael
Nóbrega na tarde de ontem. O
governo aguarda a liberação do
empréstimo pelo Senado amanhã e
na quarta-feira espera aprovar na
Assembléia Legislativa, projeto
autorizando a captação dos
recursos.