INTEGRAÇÃO II
Antecipação
da entressafra vai aumentar as
despesasAlém da herança de
dívidas que o novo governador,
Jarbas Vasconcelos (PMDB), vai
encontrar a partir de 1º de
janeiro, outros problemas estão
previstos, que irão exigir mais
recursos para programas
emergenciais. O futuro
secretário de Produção Rural e
Reforma Agrária, deputado André
de Paula (PFL), adverte para as
prováveis conseqüências do
efeito La Niña, que irá
provocar a antecipação do
período da entressafra de
cana-de-açúcar na Zona da Mata,
tradicionalmente ocorre a partir
de março. "Teremos que
conseguir recursos para o
atendimento emergencial aos
cortadores de cana pois existe a
possibilidade de sérios
problemas alimentares",
afirmou o deputado.
A futura
administração já está se
preparando para enfrentar o
problema do desemprego
generalizado na região
canavieira. Entre as medidas
programadas deve constar a
distribuição de cestas básicas
para evitar dificuldades mais
sérias relacionadas com fome.
"Temos que agir para evitar
maiores conseqüências para a
população, que não dispõe de
muitas alternativas de
diversificação da produção da
cana-de-açúcar", completou
André de Paula.
Para o
economista Maurício Romão, que
vai assumir a secretaria de
Administração, o futuro governo
está diante de "duas
grandes crises, a nacional após
a moratória Russa e os problemas
de caixa do governo, que vão
exigir um ajustes fiscal
draconiano". Ele acredita
que o maior desafio do início da
gestão de Jarbas Vasconcelos vai
ser "resgatar a
governabilidade" com
aplicação de políticas
públicas para restaurar a
capacidade administrativa, diante
do quadro de escassez de
recursos. "Vamos precisar
promover reformas internas e um
ajuste fiscal forte, pois existem
possibilidades de revertermos
este quadro", antecipou
Romão.
A possibilidade
do futuro governo herdar a folha
de dezembro e o 13º preocupa o
futuro secretário de
Administração. "Se ficar
um passivo muito alto, teremos
que realizar um ajuste ainda mais
forte do que o que está
programado", disse Romão.
Ele já está estudando toda a
estrutura do Estado e vai propor
uma reforma estrutural que pode
ter privatizações, fusões,
contrato de gestão e até
extinção de órgãos públicos.
"Estamos analisando
secretaria por secretaria e
empresa por empresa",
concluiu.