- - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 07 de dezembro de 1998

INTEGRAÇÃO II
Antecipação da entressafra vai aumentar as despesas

Além da herança de dívidas que o novo governador, Jarbas Vasconcelos (PMDB), vai encontrar a partir de 1º de janeiro, outros problemas estão previstos, que irão exigir mais recursos para programas emergenciais. O futuro secretário de Produção Rural e Reforma Agrária, deputado André de Paula (PFL), adverte para as prováveis conseqüências do efeito La Niña, que irá provocar a antecipação do período da entressafra de cana-de-açúcar na Zona da Mata, tradicionalmente ocorre a partir de março. "Teremos que conseguir recursos para o atendimento emergencial aos cortadores de cana pois existe a possibilidade de sérios problemas alimentares", afirmou o deputado.

A futura administração já está se preparando para enfrentar o problema do desemprego generalizado na região canavieira. Entre as medidas programadas deve constar a distribuição de cestas básicas para evitar dificuldades mais sérias relacionadas com fome. "Temos que agir para evitar maiores conseqüências para a população, que não dispõe de muitas alternativas de diversificação da produção da cana-de-açúcar", completou André de Paula.

Para o economista Maurício Romão, que vai assumir a secretaria de Administração, o futuro governo está diante de "duas grandes crises, a nacional após a moratória Russa e os problemas de caixa do governo, que vão exigir um ajustes fiscal draconiano". Ele acredita que o maior desafio do início da gestão de Jarbas Vasconcelos vai ser "resgatar a governabilidade" com aplicação de políticas públicas para restaurar a capacidade administrativa, diante do quadro de escassez de recursos. "Vamos precisar promover reformas internas e um ajuste fiscal forte, pois existem possibilidades de revertermos este quadro", antecipou Romão.

A possibilidade do futuro governo herdar a folha de dezembro e o 13º preocupa o futuro secretário de Administração. "Se ficar um passivo muito alto, teremos que realizar um ajuste ainda mais forte do que o que está programado", disse Romão. Ele já está estudando toda a estrutura do Estado e vai propor uma reforma estrutural que pode ter privatizações, fusões, contrato de gestão e até extinção de órgãos públicos. "Estamos analisando secretaria por secretaria e empresa por empresa", concluiu.


     

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