HARDWARE II
Computador
velho nem sempre é sucatapor FABÍOLA BLAH e
HERCÍLIA GALINDO
Um computador
que não é um Pentium, não
possui Internet nem drive de
CD-ROM. Pode parecer espantoso
para os viciados na Rede e em
micros. Mas, para muitos, os
modelos antigos ainda têm sua
utilidade. Esse grupo não cede
à enxurrada de novidades
"imperdíveis" - são
processadores mais velozes,
programas complexos e detalhados,
periféricos específicos para
certas tarefas, enfim, itens e
mais itens que podem incentivar o
consumismo, levando um micreiro
mais empolgado a fazer um
up-grade de seu computador a cada
seis meses.
Um usuário
menos interessado pode perder o
bonde da história e ficar com um
computador ultrapassado em casa,
mas... Quem disse que isso é um
problema? Muita gente acha que
não vale a pena atualizar o
micro se for para ele ficar
subutilizado. "Eu uso minha
máquina velha para arquivar
orçamentos antigos. Não preciso
de um Pentium II 400 para fazer
isso", argumenta Caio
Júnior, gerente técnico da
Recel Telecomunicações.
Caio refere-se
ao 486 que o acompanha há, pelo
menos, dois anos. "Mas ele
está na empresa desde sua
fundação, em 93, e nunca nos
deu nenhum problema. Funciona
perfeitamente, sem ficar
encostado num canto",
explica. É bem verdade que, com
o crescimento da firma, Caio
Júnior precisou adquirir outras
máquinas. "Tudo de acordo
com a necessidade. Assim como eu
comprei novos computadores porque
estava precisando, não atualizei
o outro porque, para essas
funções, o desempenho dele é
satisfatório", afirma.
É do mesmo
modo que pensa o médico Eyder
Tinoco, de 66 anos. Por suas
mãos já passaram diversos
micros e hoje ele possui em casa
dois equipamentos, um 386 e um
486. Com o primeiro, Tinoco
diverte-se. "Eu formato e
divido o disco rígido, deleto
arquivos, mexo e remexo até
cansar", diz ele. Eyder toma
o cuidado de não abrir o
gabinete do micro. "Na
única vez em que fiz isso, tudo
começou a fumaçar e tive que
correr para não perder a
máquina", relembra.
O 486, da
Compaq, serve para as tarefas
mais comuns, com um detalhe:
Eyder Tinoco só usa o Windows
3.11. "Acho o 95 muito
complicado, com ícones em
excesso", diz ele. A
questão da necessidade é
crucial para o médico.
"Computador não é cavalo
de corrida. Quem desenha e
trabalha com aqueles programas
pesados pode, e deve, ter
potência em sua máquina. Mas
eu, que utilizo o Word, às vezes
alguma planilha do Excel e alguns
dicionários, para que?",
pergunta.
Luciano
Oliveira, professor de Ciência
Política da Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE), é um
exemplo típico de quem não
sente a mínima atração pelos
teclados. Ele ainda possui um PC
386. Também não usa Internet e
só utiliza o Word do Windows
3.11, um dos poucos programas
instalados na máquina adquirida
há cerca de 5 anos.
""Para
mim, o computador não passa de
uma máquina de escrever
aperfeiçoada". O professor,
que se considera um
"desplugado", diz que,
apesar de não sentir nenhuma
atração pela informática,
está pensando em aderir às
pressões. Cansado de resistir,
ele pretende se desfazer do
antigo modelo e adquirir uma
conta de e-mail, fax e navegar
pela Internet. "Estou
cansado de me sentir pressionado
contra a parede, vou ter que
aderir à tecnologia",
revela. Pois é... Um a menos no
grupo.