- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 02 de dezembro de 1998

HARDWARE II
Computador velho nem sempre é sucata

por FABÍOLA BLAH e
HERCÍLIA GALINDO

Um computador que não é um Pentium, não possui Internet nem drive de CD-ROM. Pode parecer espantoso para os viciados na Rede e em micros. Mas, para muitos, os modelos antigos ainda têm sua utilidade. Esse grupo não cede à enxurrada de novidades "imperdíveis" - são processadores mais velozes, programas complexos e detalhados, periféricos específicos para certas tarefas, enfim, itens e mais itens que podem incentivar o consumismo, levando um micreiro mais empolgado a fazer um up-grade de seu computador a cada seis meses.

Um usuário menos interessado pode perder o bonde da história e ficar com um computador ultrapassado em casa, mas... Quem disse que isso é um problema? Muita gente acha que não vale a pena atualizar o micro se for para ele ficar subutilizado. "Eu uso minha máquina velha para arquivar orçamentos antigos. Não preciso de um Pentium II 400 para fazer isso", argumenta Caio Júnior, gerente técnico da Recel Telecomunicações.

Caio refere-se ao 486 que o acompanha há, pelo menos, dois anos. "Mas ele está na empresa desde sua fundação, em 93, e nunca nos deu nenhum problema. Funciona perfeitamente, sem ficar encostado num canto", explica. É bem verdade que, com o crescimento da firma, Caio Júnior precisou adquirir outras máquinas. "Tudo de acordo com a necessidade. Assim como eu comprei novos computadores porque estava precisando, não atualizei o outro porque, para essas funções, o desempenho dele é satisfatório", afirma.

É do mesmo modo que pensa o médico Eyder Tinoco, de 66 anos. Por suas mãos já passaram diversos micros e hoje ele possui em casa dois equipamentos, um 386 e um 486. Com o primeiro, Tinoco diverte-se. "Eu formato e divido o disco rígido, deleto arquivos, mexo e remexo até cansar", diz ele. Eyder toma o cuidado de não abrir o gabinete do micro. "Na única vez em que fiz isso, tudo começou a fumaçar e tive que correr para não perder a máquina", relembra.

O 486, da Compaq, serve para as tarefas mais comuns, com um detalhe: Eyder Tinoco só usa o Windows 3.11. "Acho o 95 muito complicado, com ícones em excesso", diz ele. A questão da necessidade é crucial para o médico. "Computador não é cavalo de corrida. Quem desenha e trabalha com aqueles programas pesados pode, e deve, ter potência em sua máquina. Mas eu, que utilizo o Word, às vezes alguma planilha do Excel e alguns dicionários, para que?", pergunta.

Luciano Oliveira, professor de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é um exemplo típico de quem não sente a mínima atração pelos teclados. Ele ainda possui um PC 386. Também não usa Internet e só utiliza o Word do Windows 3.11, um dos poucos programas instalados na máquina adquirida há cerca de 5 anos.

""Para mim, o computador não passa de uma máquina de escrever aperfeiçoada". O professor, que se considera um "desplugado", diz que, apesar de não sentir nenhuma atração pela informática, está pensando em aderir às pressões. Cansado de resistir, ele pretende se desfazer do antigo modelo e adquirir uma conta de e-mail, fax e navegar pela Internet. "Estou cansado de me sentir pressionado contra a parede, vou ter que aderir à tecnologia", revela. Pois é... Um a menos no grupo.


 

 

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes