EVENTO
Setor
elétrico investe em transmissão
de dadospor HERCÍLIA GALINDO
hercilia@jc.com.br
A transmissão
de energia está deixando de ser
o único serviço oferecido pelas
empresas do setor elétrico, que
agora passam a disponibilizar a
transmissão de dados e o acesso
à Internet. A nova tendência
foi discutida no "Encontro
de Dirigentes de Informática do
Setor Elétrico do País",
semana passada, no Monte Hotel,
em Boa Viagem, e mostra que, com
as privatizações, as companhias
elétricas procuram agregar
negócios, aumentando a renda e
aproveitando a infra-estrutura
já existente.
Entre as 55
empresas do setor elétrico de
todo o país que participaram do
encontro anual, destacou-se a
Espírito Santo Centrais
Elétricas S/A (Escelsa),
distribuidora regional do
Espírito Santo, antes gerenciada
pela Eletrobrás. Com a
privatização, em 95, a Escelsa
foi arrematada pelas Iven S.A. e
GTD Participações S.A. Hoje a
empresa não apenas distribui
energia elétrica, como também
criou um provedor de acesso à
Internet.
"Inicialmente,
o serviço era utilizado
internamente na empresa, mas a
coisa deu tão certo que a
distribuidora de energia passou a
vendê-lo. A procura pelo
provedor tem aumentado a cada
dia", revela Benedito
Parente, da Superintendência de
Tecnologia da Informação da
Companhia Hidro Elétrica do São
Francisco (Chesf), que sediou o
evento deste ano.
A distribuidora
Light, do Rio de Janeiro, que
deixou de ser estatal em 96,
mostrou que está instalando
backbone com fibra ótica. A
idéia é vender serviços
ligados à transmissão de dados
(processamento à distância por
mainframe, disponibilização de
parte do potencial de impressoras
de alta definição e produção
da empresa etc.). A Companhia de
eletricidade do Estado da Bahia
(Coelba) também começa a
providenciar a prestação de
serviços através da
utilização da infra-estrutura
existente na companhia.
Parente explica
que a Chesf deve entrar na
tendência de prestação de
novos serviços assim que a
privatização da companhia,
esperada para fevereiro, for
concluída. "Já estamos
levantando os custos de tudo o
que poderemos vender para a
sociedade. Encontramos 12 itens,
entre eles transmissão de dados,
acesso à Internet, consultoria
sobre o ano 2.000 e gerência de
redes corporativas", afirma.
Parente
ressalta que a venda de serviços
não compromete a qualidade da
transmissão de energia, já que
nenhum equipamento é
sobrecarregado. "As empresas
estão apenas unindo o útil ao
agradável, aproveitando todo o
potencial de produção dos
equipamentos existentes e
aumentando a receita",
afirma.