- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 02 de dezembro de 1998

EVENTO
Setor elétrico investe em transmissão de dados

por HERCÍLIA GALINDO
hercilia@jc.com.br

A transmissão de energia está deixando de ser o único serviço oferecido pelas empresas do setor elétrico, que agora passam a disponibilizar a transmissão de dados e o acesso à Internet. A nova tendência foi discutida no "Encontro de Dirigentes de Informática do Setor Elétrico do País", semana passada, no Monte Hotel, em Boa Viagem, e mostra que, com as privatizações, as companhias elétricas procuram agregar negócios, aumentando a renda e aproveitando a infra-estrutura já existente.

Entre as 55 empresas do setor elétrico de todo o país que participaram do encontro anual, destacou-se a Espírito Santo Centrais Elétricas S/A (Escelsa), distribuidora regional do Espírito Santo, antes gerenciada pela Eletrobrás. Com a privatização, em 95, a Escelsa foi arrematada pelas Iven S.A. e GTD Participações S.A. Hoje a empresa não apenas distribui energia elétrica, como também criou um provedor de acesso à Internet.

"Inicialmente, o serviço era utilizado internamente na empresa, mas a coisa deu tão certo que a distribuidora de energia passou a vendê-lo. A procura pelo provedor tem aumentado a cada dia", revela Benedito Parente, da Superintendência de Tecnologia da Informação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que sediou o evento deste ano.

A distribuidora Light, do Rio de Janeiro, que deixou de ser estatal em 96, mostrou que está instalando backbone com fibra ótica. A idéia é vender serviços ligados à transmissão de dados (processamento à distância por mainframe, disponibilização de parte do potencial de impressoras de alta definição e produção da empresa etc.). A Companhia de eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) também começa a providenciar a prestação de serviços através da utilização da infra-estrutura existente na companhia.

Parente explica que a Chesf deve entrar na tendência de prestação de novos serviços assim que a privatização da companhia, esperada para fevereiro, for concluída. "Já estamos levantando os custos de tudo o que poderemos vender para a sociedade. Encontramos 12 itens, entre eles transmissão de dados, acesso à Internet, consultoria sobre o ano 2.000 e gerência de redes corporativas", afirma.

Parente ressalta que a venda de serviços não compromete a qualidade da transmissão de energia, já que nenhum equipamento é sobrecarregado. "As empresas estão apenas unindo o útil ao agradável, aproveitando todo o potencial de produção dos equipamentos existentes e aumentando a receita", afirma.


 

 

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