- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 02 de dezembro de 1998

CONSUMO
Empresário cai no conto do spammer

IDG Now!

Fraga Porto, diretor da Portosoft Informática, comprou por R$ 70 uma lista com 100 mil endereços brasileiros de e-mail na esperança de atrair, via Internet, compradores para seu software Sistema Administrativo Empresarial. Resultado: Porto não só não conseguiu vender nenhuma cópia do produto como também acabou atraindo a ira de mais de uma dezena de internautas na semana passada.

"Fui vítima de uma brincadeira, pois quando comprei a lista a pessoa me disse que todos os e-mails eram de pessoas que aceitariam receber propaganda online e que todos os endereços estavam ativos", diz Porto. De acordo com o executivo, as pessoas reclamaram do e-mail que ele enviou e vários dos endereços comprados estavam inativos.

Porto afirma ter usado apenas 10 mil endereços da lista para fazer um teste do retorno da mídia. "Não recebi nada de positivo. Se soubesse que haveria problemas em fazer a divulgação de meu produto via e-mail não teria comprado a lista", diz Porto. "Como a empresa parecia organizada, não relutei em comprar", afirma.

Porto comprou a lista da carioca Fernanda, consultora de informática que não concorda em ser chamada de spammer. Fernanda conseguiu acumular os 100 mil e-mails de brasileiros em listas da própria rede. "A Internet é um caminho sem volta para a propaganda comercial. Acho que usuário que não deseja receber propaganda deve usar filtros", diz a carioca.

Fernanda acha que o spam não é um mal para a Internet e que as entidades ligadas à rede, como Comitê Gestor, Fapesp e Abranet, deveriam regulamentar esse tipo de atividade. "Tenho sido punida por provedores que cancelam minha assinatura e por xiitas da Internet que tentam barrar minhas atividades com mail bomba. É preciso acabar com estes desajustes", diz.

De acordo com Fernanda, a comercialização da lista de e-mails vem sendo realizada pela própria Internet. "Enviei a proposta para 20 mil pessoas e menos de 200 reclamaram da minha atitude. Já vendi a lista para mais de 50 empresários", afirma Fernanda.


 

 

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