- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 02 de novembro de 1998


PEOPLE NET
Sandra Carvalho

Eles querem a Web mais veloz

Não importa se eles precisam desembolsar mais dinheiro para ter um tráfego mais rápido na cyber rodovia. Internautas americanos acham que velocidade é assunto prioritário na rede. Pelo menos foi o que revelou um recente estudo feito pela empresa Yankee Group. Cerca de 41% dos entrevistados afirmaram que é fundamental o tráfego veloz de dados e 43% disseram que é uma necessidade, mas não tão urgente. No ano passado, a firma realizou o mesmo estudo e constatou que a comunidade internauta não estava assim tão preocupada com o item velocidade. Apenas 25% declararam que a rede precisava de tráfego mais rápido do que qualquer outra coisa, seja privacidade de dados ou segurança nas transações financeiras.

"Outro dado relevante da pesquisa: 36% dos entrevistados disseram que estão dispostos a pagar mais, cerca de US$ 40,00 por mês, para terem uma Internet menos irritante, na hora de baixar images e assistir a vídeos online. Segundo o estudo, as companhias telefônicas e de comunicação via cabo deveriam abrir os olhos para esse crescente filão e começar a oferecer servicos a preço convidativo. O Yankee Group estima que cerca de 300 mil pessoas irão contar com Internet super veloz este ano e cerca de 7 milhões terão acesso relâmpago por volta do ano 2002.

Já outro estudo, feito pela empresa Ziff-Davis Market Intelligence, não é tão otimista. Ele mostra que 49% das grandes companhias nos Estados Unidos ainda usam baixa velocidade no tráfego de dados na rede. Não é nem uma questão de finanças; é uma questão de interesse. Apenas 28% das companhias estão conectadas a velocidade superior a 2 Mbps. Os dois estudos alertam para uma melhor infra-estrutura em telecomunicações, sem a qual o mercado eletrônico vai continuar emperrado, seja nos EUA ou em qualquer outra parte do planeta.

SOS Correios

Se existe um país onde a revolução Internet incomoda o serviço dos Correios, esse país é os Estados Unidos. Antes de a Rede ser popularizada, a carta simples era responsável por uma boa parte da lucratividade do setor. Agora, com milhões de americanos recorrendo ao e-mail, o serviço precisa mesmo é buscar alternativas de negócios. O Serviço Postal americano tem perdido cerca de US$ 85 milhões desde 1995, na tentativa de desenvolver novos ramos de empreendimentos. A empresa já sente o estrondoso impacto da revolução dos computadores na sua caixa registradora. Agora tenta usar o "inimigo" ao seu favor. Por exemplo, facilitando pagamento de contas pela rede. Cerca de 25% do negócio do Serviço Postal é baseado em pagamento de contas, como gás, eletricidade ou impostos. Representantes do serviço estão otimistas, mas até agora, dos 19 novos ramos de atividade, apenas quatro estão dando bons resultados e, mais uma vez, com a ajuda da Internet. Um deles é a venda de camisetas, chaveiros, canecas e outras bugingangas com a logomarca dos Correios, pela World Wide Web.

Voil'a

Os franceses estão comemorando o crescimento do uso da Internet no país. A França ainda está atrás de outros países e da Europa no tocante ao uso da rede, a exemplo da Alemanha (cerca de 81 milhões de habitantes e 5.9 milhões de internautas). Mas, de acordo com recente estudo da companhia Mediangles, o número de 2.5 milhões de franceses plugados na rede (população de 60 milhões) já pode ser considerado otimista. A França vem crescendo cerca de 7% em público internauta ao mês, e o volume duplicou em relação ao ano passado.

Comodidade

Com tantas companhias de automóveis vendendo carros online, a canadense Belairdirect resolveu inovar e oferecer mais um serviço ao cyberconsumidor: seguro do carro via web. O serviço, por enquanto, está disponível apenas em Ontario. Os clientes da empresa canadense só precisam preencher um formulário online, indicando todos os dados do veículo comprado via Internet. O serviço funciona 24 horas por dia, sete dias na semana. O consumidor digital tem ainda de 10 a 20% de desconto na compra do seguro, já que a companhia dispensou os vendedores de seguro no novo cybernegócio.

Adoção

O presidente norte-americano Bill Clinton anunciou na semana passada a criação do Serviço Nacional de Registro de Adoção pela Internet. Segundo ele, há 100 mil crianças esperando por um lar nos Estados Unidos e a Internet tem enorme potencial para encurtar esta espera. A secretária de Saúde e Serviços Humanos, Donna Shalala, ficou encarregada de viabilizar o tal projeto. O relatório deverá ser entregue ao presidente em dois meses. O serviço deverá facilitar o link entre famílias e entidades de adoção disponibilizando fotos, informações sobre as crianças e procedimento.s

Liberdade

Uma biblioteca pública da Virginia, EUA, anda brigando com o poder judiciário local. Acontece que a corte acaba de proibir a biblioteca Loudoun County de instalar filtros que selecionam o material acessado pelo seu público na rede Internet. A juíza da Virginia disse que a medida é anticonstitucional. Ela ordenou a retirada dos softwares imediatamente. Furiosa, a diretoria da biblioteca elaborou uma lista com sites de conteúdo pornográfico para convencer a tal juíza que a rede é "perigosa" para menores e precisa ser "supervisionada". Recentemente, Clinton aprovou o uso de filtros nas bibliotecas para impedir o acesso a material "inadequado" por menores. Mas a biblioteca da Virginia instalou filtros até nos micros acessados por adultos.

E-mail

sandramega@hotmail.com

 
 

 

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