PERSONAGEM
Cid, aos
88, diz ser um "observador
da política"por SHEILA BORGES
Avesso a
comemorações, o ex-governador e
ex-senador Cid Feijó Sampaio
(PMDB) completa, hoje, 88 anos de
idade ao lado de sua família: a
esposa Dulce, os cinco filhos,
onze netos e dois bisnetos. Com a
sabedoria de quem já participou
de muitos episódios da vida
política do País, ele diz que
"não é hora de começar
nada", mas também se recusa
a aceitar o "rótulo de
aposentado". Por isso,
mantém uma rotina de trabalho
diária de oito horas, dedicadas
aos negócios da família. Cid
faz questão de participar das
decisões junto com os filhos.
"Deixei a
política, mas não a vida
profissional", afirmou,
enquanto brincava com a neta mais
nova de dois anos de idade, Dulce
Helena. Com a nova geração de
sua família, ele diz que está
aprendendo muitas coisas.
"É vivendo e aprendendo. E
temos que ter ainda mais
paciência", falou, sorrindo
para a neta, que seguia o avô o
tempo todo. O dissabor dos 88
anos, segundo ele, é ter perdido
o contato com os amigos mais
íntimos, que já morreram.
"Da minha geração restam
poucos. Mas isso é decorrência
de uma vida mais longa. Meu pai
morreu lúcido aos 99 anos",
lembrou, enfatizando que ainda
vai testemunhar muitos
acontecimentos do novo Século.
Apesar de estar
afastado da vida política, Cid
Sampaio faz questão de ressaltar
que apóia as ações do
governador eleito Jarbas
Vasconcelos (PMDB). "Depois
que deixei a política,
interrompi a luta que me envolvi
durante a segunda metade de minha
vida. Mas sou um cidadão
observador, disposto a colaborar
e ajudar sempre que
convocado", falou, acenando
para a possibilidade de ser um
colaborador "informal"
de Jarbas Vasconcelos.
O ex-governador
acredita que o peemedebista vai
enfrentar muitas dificuldades
durante sua gestão porque o
"Estado está em situação
de quase falência". Ele
espera que "Pernambuco tenha
a sorte de encontrar o caminho da
restauração" nos próximos
quatro anos. Cid Sampaio não
quis fazer críticas ao
governador Miguel Arraes (PSB),
mas não deixou de aproveitar a
oportunidade para ironizar a
derrota de seu adversário
político.
"O
governador foi derrotado numa
manifestação popular grande,
quase agressiva. Procuro não
fazer análises ou buscar
defeitos nas pessoas que ficam
traumatizadas depois de um golpe
tão forte", disse. Ele
referiu-se à derrota de Arraes
por uma diferença de mais de um
milhão de votos, na eleição de
4 de outubro. Em relação às
complicações do período de
transição entre as duas
equipes, Cid Sampaio disse que
isso não é nenhuma novidade na
história política de
Pernambuco.
"Vivi uma
transição dessas. Cheguei ao
Governo para interromper uma
oligarquia de mais de 20 anos.
Foram muitas confusões, acabei
sendo empossado pelo
vice-presidente da Assembléia
Legislativa da época, o deputado
estadual Constâncio
Maranhão", recordou. Cid
Sampaio lembrou que o então
governador Cordeiro de Farias
preferiu se ausentar do Estado.
Atualmente, o governador Miguel
Arraes ainda mantém o suspense
se transmitirá ou não o cargo
para Jarbas Vasconcelos, no dia
primeiro de janeiro.