- - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 07 de dezembro de 1998

PERSONAGEM
Cid, aos 88, diz ser um "observador da política"

por SHEILA BORGES

Avesso a comemorações, o ex-governador e ex-senador Cid Feijó Sampaio (PMDB) completa, hoje, 88 anos de idade ao lado de sua família: a esposa Dulce, os cinco filhos, onze netos e dois bisnetos. Com a sabedoria de quem já participou de muitos episódios da vida política do País, ele diz que "não é hora de começar nada", mas também se recusa a aceitar o "rótulo de aposentado". Por isso, mantém uma rotina de trabalho diária de oito horas, dedicadas aos negócios da família. Cid faz questão de participar das decisões junto com os filhos.

"Deixei a política, mas não a vida profissional", afirmou, enquanto brincava com a neta mais nova de dois anos de idade, Dulce Helena. Com a nova geração de sua família, ele diz que está aprendendo muitas coisas. "É vivendo e aprendendo. E temos que ter ainda mais paciência", falou, sorrindo para a neta, que seguia o avô o tempo todo. O dissabor dos 88 anos, segundo ele, é ter perdido o contato com os amigos mais íntimos, que já morreram. "Da minha geração restam poucos. Mas isso é decorrência de uma vida mais longa. Meu pai morreu lúcido aos 99 anos", lembrou, enfatizando que ainda vai testemunhar muitos acontecimentos do novo Século.

Apesar de estar afastado da vida política, Cid Sampaio faz questão de ressaltar que apóia as ações do governador eleito Jarbas Vasconcelos (PMDB). "Depois que deixei a política, interrompi a luta que me envolvi durante a segunda metade de minha vida. Mas sou um cidadão observador, disposto a colaborar e ajudar sempre que convocado", falou, acenando para a possibilidade de ser um colaborador "informal" de Jarbas Vasconcelos.

O ex-governador acredita que o peemedebista vai enfrentar muitas dificuldades durante sua gestão porque o "Estado está em situação de quase falência". Ele espera que "Pernambuco tenha a sorte de encontrar o caminho da restauração" nos próximos quatro anos. Cid Sampaio não quis fazer críticas ao governador Miguel Arraes (PSB), mas não deixou de aproveitar a oportunidade para ironizar a derrota de seu adversário político.

"O governador foi derrotado numa manifestação popular grande, quase agressiva. Procuro não fazer análises ou buscar defeitos nas pessoas que ficam traumatizadas depois de um golpe tão forte", disse. Ele referiu-se à derrota de Arraes por uma diferença de mais de um milhão de votos, na eleição de 4 de outubro. Em relação às complicações do período de transição entre as duas equipes, Cid Sampaio disse que isso não é nenhuma novidade na história política de Pernambuco.

"Vivi uma transição dessas. Cheguei ao Governo para interromper uma oligarquia de mais de 20 anos. Foram muitas confusões, acabei sendo empossado pelo vice-presidente da Assembléia Legislativa da época, o deputado estadual Constâncio Maranhão", recordou. Cid Sampaio lembrou que o então governador Cordeiro de Farias preferiu se ausentar do Estado. Atualmente, o governador Miguel Arraes ainda mantém o suspense se transmitirá ou não o cargo para Jarbas Vasconcelos, no dia primeiro de janeiro.


     

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