CUBA III
Habaneros
fiéis preservam o charme
revolucionário da ilhaDe maneira geral, a
população reconhece as
conquistas da revolução
implantada há 40 anos por Fidel
Castro, mas acha que está
chegando a hora de mudar.
"Meus filhos estudam na
mesma escola que os do irmão de
Fidel, Raul Castro", disse o
taxista Gilberto Montez, 48 anos.
"Isto prova que os ideais de
igualdade da revolução deram
resultados. Embora algumas coisas
precisem ser revistas, creia que
o fidelismo está mais vivo do
que nunca em Cuba", defende.
Montez tem
razão. Mais de 80% dos cubanos
apoiam a permanência de Fidel no
poder, segundo pesquisa realizada
no país recentemente. Andando
pelas ruas da velha Havana
percebe-se que é difícil ter
havido manipulação no resultado
da pesquisa encomendada pelo
governo cubano. O culto ao mito
dos heróis da revolução é
visto em todos os lugares.
Enormes cartazes exaltam os
feitos de Fidel, Che Guevara e
Camilo Cinfuegos, o terceiro
herói máximo do país, morto em
acidente aéreo em 1975.
Há quem
exagere na idolatria. É o caso
do vendedor de sorvetes,
Florencio Nunes, 55 anos.
Ombreiro (funcionário) da
sorveteria Copelia, ao lado do
Hotel Habana Livre e que é
citada no maior sucesso do cinema
cubano, Morangos e Chocolates,
Florencio carrega no peito a
imagem de Che Guevara. Ele
garante que lutou ao lado de Che
na tomada da cidade de Santa
Clara, em dezembro de 1958 e que
abriu caminho para a tomada de
Santiago de Cuba, por Fidel,
culminando com a fuga do
presidente Fulgêncio Batista e
seus seguidores nas primeiras
horas de 1959. "Quando Che
morreu tatuei a sua imagem para
que ficasse sempre perto do meu
coração", disse.
FUTURO -
O orgulho com que os habaneros
enaltecem os feitos dos seus
heróis revolucionários
transmite a idéia de que eles
são mais fidelistas do que
socialistas. E isto revela um
futuro incerto. Afinal, o que
será da ilha quando Fidel
morrer? A bordo do seu Chevrolet
58, o taxista Montez é taxativo.
"Não há quem o substitua.
Raul nem nenhum dirigente tem a
sombra do carisma do
comandante".
É grande a
possibilidade de que o último
bastião do socialismo esteja com
os dias contados. Quem tiver a
oportunidade de conhecer a
genuína Cuba revolucionária que
se apresse. Se demorar muito,
corre o risco de visitar mais um
paraíso de consumo como tantos
outros que são encontrados no
Caribe e no resto do mundo. Neste
momento, no entanto, Cuba é
única.
O QUE DÁ
CERTO - Em Cuba, a
educação, a saúde e o esporte
são totalmente gratuitos em
todos os níveis. Não há
analfabetismo e os livros são
distribuídos pelo governo. A
saúde avança na área de
pesquisa e a mortalidade infantil
é uma das mais baixas do mundo -
10 para cada mil crianças
nascidas vivas.(L.E.M.)