GRITO DOS EXCLUÍDOS
Veto
da CNBB a discurso político
desagrada líderes de sem-terraAPARECIDA (SP) -
O esforço da CNBB (Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil)
para evitar que o "4º Grito
dos Excluídos", em
Aparecida, fosse transformado em
um ato da campanha de Luiz
Inácio Lula da Silva (PT)
desagradou ao MST (Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra).
Temendo que os representantes dos
outros movimentos que
participaram da organização do
ato, como a CUT (Central Única
dos Trabalhadores) e a CMP
(Central de Movimentos
Populares), fizessem discursos
pró-Lula, apenas pessoas da CNBB
discursaram.
Os discursos
tinham linha oposicionista,
condenando o pagamento da dívida
externa e as privatizações.
Eles defendiam a reforma agrária
e uma melhor divisão de renda,
além de um "novo modelo
político e social". Mas
não houve referências diretas
ao Governo Fernando Henrique
Cardoso. Após a manifestação,
realizada em frente à basílica
de Aparecida, José Rainha
Júnior, líder do MST, lamentou
que representantes dos movimentos
sociais não tivessem sido
autorizados a discursar.
"Não basta falar da fé. O
povo tem que rezar e eu rezo. Mas
os movimentos sociais precisam
apresentar o rumo, o que fazer
para combater as causas da
exclusão social", afirmou
Rainha.
RIO - As
ruas desertas do centro do Rio
foram o palco escolhido pelo MST
e pela CUT para iniciar a marcha
do Grito dos Excluídos. Cerca de
mil pessoas, segundo a Polícia
Militar, desfilaram pela Avenida
Rio Branco. A população só
tomou conhecimento da
manifestação quando a marcha
chegou ao aterro do Flamengo,
cerca de uma hora e meia depois
do desfile militar de 7 de
Setembro, realizado no mesmo
local. Os manifestantes logo se
dispersaram e apenas 300 pessoas
ficaram para o comício, em
frente ao Largo da Glória.