EUA
Líder
da igreja Batista pede ao
presidente Clinton que renuncieWASHINGTON -
Paige Patterson, líder da Igreja
Batista do Sul - a maior seita
protestante dos Estados Unidos -,
pediu ontem a renúncia do
presidente norte-americano Bill
Clinton por causa do escândalo
sexual que o envolve.
De acordo com
Patterson, o comportamento de
Clinton nas relações adúlteras
com a ex-estagiária da Casa
Branca Monica Lewinsky
constituem-se uma forma de
"corrução da
juventude". A censura de
Patterson é recheada de
importância política porque
Clinton, batizado na fé batista,
sempre contou com o apoio da
igreja, que tem mais de 15
milhões de fiéis em todo o
país.
O pastor
disse-se também
"preocupado" com o
apoio que os cidadãos
norte-americanos vêm dando a
Clinton por causa do bom
desempenho de seu governo na
administração da economia do
país. Segundo ele, o resultado
da maioria das pesquisas de
opinião - que favorecem o
presidente - demonstra que os
habitantes dos Estados Unidos
estão "submetidos ao
materialismo", advertindo
que tais valores foram a causa da
ruína do Império Romano.
Cada vez mais
isolado, confuso e desorientado -
de acordo com seus assessores - ,
Clinton passou a maior parte do
dia de ontem, feriado do Dia do
Trabalho nos Estados Unidos,
fechado na Casa Branca. O
distanciamento da primeira-dama,
Hillary, é ostensivo e, segundo
um de seus colaboradores, o que
mais tem aborrecido o presidente
é o fato de não ter conseguido
o perdão da própria mulher.
Durante o
feriado, que marcou também a
abertura oficial da campanha para
as eleições legislativas de 03
de novembro, também ficou
evidente o mal-estar dos
democratas com o escândalo
sexual. O governador democrata do
Estado de Maryland, Parris
Glendening, retirou o convite
para que Clinton participasse de
um ato de arrecadação de fundos
para a campanha.
A maior parte
dos candidatos do Partido
Democrata tem evitado
aproximar-se do presidente,
certos de que tal proximidade
causará mais danos do que
benefícios na eleição.
Ao mesmo tempo,
a oposição republicana
comemorou nas reuniões de ontem
a perspectiva de ampliar a
maioria absoluta que mantém na
Câmara dos Representantes e a
perspectiva de chegar a ter 60
cadeiras no Senado.
Liderada pelo
senador Joseph Lieberman, uma
corrente do Partido Democrata
pressiona Clinton para que, de
forma mais clara e mais profunda
do que fez há um mês, peça
desculpas aos norte-americanos
por ter mentido para esconder a
natureza de sua relação com
Monica. O promotor especial
Kenneth Starr, que investiga o
escândalo, deve entregar um
relatório sobre caso ao
Congresso, até o fim do mês.