- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 08 de setembro de 1998

EUA
Líder da igreja Batista pede ao presidente Clinton que renuncie

WASHINGTON - Paige Patterson, líder da Igreja Batista do Sul - a maior seita protestante dos Estados Unidos -, pediu ontem a renúncia do presidente norte-americano Bill Clinton por causa do escândalo sexual que o envolve.

De acordo com Patterson, o comportamento de Clinton nas relações adúlteras com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky constituem-se uma forma de "corrução da juventude". A censura de Patterson é recheada de importância política porque Clinton, batizado na fé batista, sempre contou com o apoio da igreja, que tem mais de 15 milhões de fiéis em todo o país.

O pastor disse-se também "preocupado" com o apoio que os cidadãos norte-americanos vêm dando a Clinton por causa do bom desempenho de seu governo na administração da economia do país. Segundo ele, o resultado da maioria das pesquisas de opinião - que favorecem o presidente - demonstra que os habitantes dos Estados Unidos estão "submetidos ao materialismo", advertindo que tais valores foram a causa da ruína do Império Romano.

Cada vez mais isolado, confuso e desorientado - de acordo com seus assessores - , Clinton passou a maior parte do dia de ontem, feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, fechado na Casa Branca. O distanciamento da primeira-dama, Hillary, é ostensivo e, segundo um de seus colaboradores, o que mais tem aborrecido o presidente é o fato de não ter conseguido o perdão da própria mulher.

Durante o feriado, que marcou também a abertura oficial da campanha para as eleições legislativas de 03 de novembro, também ficou evidente o mal-estar dos democratas com o escândalo sexual. O governador democrata do Estado de Maryland, Parris Glendening, retirou o convite para que Clinton participasse de um ato de arrecadação de fundos para a campanha.

A maior parte dos candidatos do Partido Democrata tem evitado aproximar-se do presidente, certos de que tal proximidade causará mais danos do que benefícios na eleição.

Ao mesmo tempo, a oposição republicana comemorou nas reuniões de ontem a perspectiva de ampliar a maioria absoluta que mantém na Câmara dos Representantes e a perspectiva de chegar a ter 60 cadeiras no Senado.

Liderada pelo senador Joseph Lieberman, uma corrente do Partido Democrata pressiona Clinton para que, de forma mais clara e mais profunda do que fez há um mês, peça desculpas aos norte-americanos por ter mentido para esconder a natureza de sua relação com Monica. O promotor especial Kenneth Starr, que investiga o escândalo, deve entregar um relatório sobre caso ao Congresso, até o fim do mês.


 
 

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